Melhores de 2025 na Dramaturgia: confira as produções e artistas mencionados da tevê e streaming
A produção de remake, novela no streaming, artistas que entregaram tudo em seus papéis (seja em novelas ou série) são os destaques das escolhas
Entre fórmulas e formatos, a televisão tem a mania de utilizar as ideias à exaustão. Mesmo mostrando um certo esgotamento, a tática de produzir remakes e continuações de novelas marcou 2025 de formas distintas.
Mesmo com problemas de percurso, revisitar “Vale Tudo”, clássico de 1988, celebrou os 60 anos de Globo de maneira grandiosa. Entre a reverência ao original e os olhos de hoje, a autora Manuela Dias conseguiu conectar um novo público ao enredo que questiona se vale a pena ser honesto no Brasil.
Resultado: a produção se sagrou como “Melhor Novela” na lista anual de “Melhores de TV Press”. Na contramão, sem razão de existir e com trama esvaziada e repetitiva, “Êta Mundo Melhor!” passou longe do brilho de “Êta Mundo Bom!”, de 2016, e acabou sendo lembrada como “Destaque Negativo”.
Na faixa das sete, a união entre o texto de Rosane Svartman e a direção de Allan Fiterman fez o elenco brilhar. Destaque nas categorias “Melhor Ator”, com Tony Ramos, “Melhor Atriz”, com Cláudia Abreu, e “Melhor Atriz Coadjuvante”, com Suely Franco, a trama de “Dona de Mim” conseguiu renovar carreiras já estabelecidas e mostrar o poder que escalação certeira e atores experientes têm sobre o êxito de uma produção.
Como renovação é bom e faz bem, em 2025 o Brasil também foi sacudido pelas histórias do escritor Raphael Montes, que estreou este ano como novelista em “Beleza Fatal”, da HBO Max.
Aliás, o alto investimento das plataformas de streaming em histórias brasileiras rendeu grandes frutos. A Netflix mergulhou no submundo do jogo do bicho carioca e produziu “Os Donos do Jogo”, “Melhor Série” do ano.
Ao viver a famosa Suzane von Richthofen em “Tremembé”, do Prime Video, Marina Ruy Barbosa saiu da zona de conforto, entregou um dos melhores desempenhos de sua longa trajetória e acabou no topo da categoria “Melhor Atriz de Série”.
Também vivendo uma pessoa pública na ficção, Ravel Andrade driblou imitações baratas e rasas ao interpretar o roqueiro baiano Raul Seixas em “Raul Seixas: Eu Sou”, do Globoplay. Grande trunfo da série biográfica, Ravel é destaque na categoria “Melhor Ator de Série”.
Melhor Novela - “Vale Tudo”, da Globo
Brasil de sempre
Apesar de um certo esgotamento dos remakes, revisitar “Vale Tudo” foi além da homenagem e virou uma das grandes celebrações dos 60 anos da Globo.
O enredo que discute ética e moral ao questionar se vale a pena ser honesto no Brasil, de fato, envelheceu bem e mereceu um segundo olhar ao mostrar uma trama viva e dialogando com os rumos do país.
A autora Manuela Dias acertou ao reverenciar o trabalho de Gilberto Braga, Leonor Bassères e Aguinaldo Silva. Mas também foi nítida a boa dose de liberdade garantida pela emissora para que a autora também exercesse alguma originalidade.
Contando com atuações luminosas de Taís Araújo, Alexandre Nero, Alice Wegmann, Malu Galli e, especialmente, Débora Bloch, - responsável por uma Odete Roitman elegante, cheia de sex appeal –, “Vale Tudo” fez barulho e grande sucesso comercial.
Melhor Série - “Os Donos do Jogo”, da Netflix
O peso da realidade
A mistura brasileiríssima de crime organizado e desfile de Carnaval foi a base de “Os Donos do Jogo”, grande sucesso nacional da Netflix em 2025.
Criada por Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos e Bruno Passeri, a série mergulha nos bastidores geracionais do jogo do bicho carioca, focando nas disputas de poder que movimentam a cúpula do jogo e abusando das belas paisagens da capital carioca.
Ciente de seu poder de sedução não apenas para o mercado local, mas também internacional, a série exibe um Rio de Janeiro para gringo ver e descortina suas tramas de forma novelesca e aliciante.
Com elenco muito bem escalado, formado por nomes como Xamã, Juliana Paes, Mel Maia, Giullia Buscacio, Chico Díaz e a revelação André Lamoglia, entre outros, o grande trunfo de “Os Donos do Jogo” é se inspirar em histórias reais carregadas de viradas surpreendentes, que parecem saídas da mais absurda ficção.
Melhor Atriz - Cláudia Abreu, a Felipa de “Dona de Mim”, da Globo
Ser ou não ser
O contrato de longo prazo entre Cláudia Abreu e a Globo terminou em 2023. Porém, por conta de uma luminosa trajetória inicial, a atriz acabou conquistando boas doses de autonomia artística na relação com a empresa, privilegiando trabalhos com os autores e diretores com quem tinha afinidade artística e sempre dando um tempo longo entre uma personagem e outra.
No fim do vínculo, Cláudia poderia muito bem investir nas séries e no streaming, mas foi o convite sedutor de Rosane Svartman para “Dona de Mim”, novela do tipo bem longa, que cativou o coração da atriz. Com escolhas menos inspiradas nos últimos anos, seu último grande trabalho em folhetins foi no musical “Cheias de Charme”, de 2012.
A sensível e complexa Felipa recoloca a trajetória televisiva de Claudia nos trilhos ao exibir seu talento para tipos que fogem da mesmice e do lugar comum. Entre o drama e o riso, foi nítida a entrega e a diversão de Claudia ao viver as dores e delícias de uma personagem com muito a dizer.
Melhor Ator - Tony Ramos, o Abel de “Dona de Mim”, da Globo
Chama acesa
Protagonista definitivo e, há mais de quatro décadas, um dos atores mais disputados da Globo, a empolgação e entrega de Tony Ramos a cada novo trabalho impressiona.
Principalmente, quando está com um bom personagem em mãos. Na pele de Abel, herói cheio de contradições que centralizou toda a primeira parte das emoções de “Dona de Mim”, Tony tomou a novela para si com uma atuação segura e cativante de um homem que faz de tudo para manter sua família unida.
Mesmo com uma série de papéis semelhantes em sua trajetória, o repertório, o estofo e a inteligência emocional de Tony conseguem surpreender e ressignificar sua relação com o público e com a própria carreira.
Já prevista na sinopse, a morte de Abel no meio da trama foi um golpe para a novela, mas ajudou a demonstrar toda a força do personagem e de seu intérprete.
Melhor Atriz Coadjuvante - Suely Franco, a Rosa de “Dona de Mim”, da Globo
Ponto de luz
Com texto inspirado, escalação de elenco certeira e boa direção de atores, “Dona de Mim” teve o poder de renovar carreiras de grandes medalhões da tevê. Um grande exemplo disso é o destaque de Suely Franco na história.
Com uma trajetória premiada e parte importante da história da teledramaturgia brasileira, há tempos que Suely vinha sendo subutilizada pela tevê, trabalhando em humorísticos sem grande relevância, como “Os Suburbanos”, e atuando em papéis menores em tramas de Walcyr Carrasco, casos de “Êta Mundo Bom!” e “A Dona do Pedaço”.
Senhora de seu ofício, na pele da justa Rosa, Suely entregou mais uma grande atuação ao abordar as confusões mentais de uma idosa diagnosticada com Alzheimer.
Melhor Ator Coadjuvante - Ricardo Teodoro, o Olavinho de “Vale Tudo”, da Globo
Vivendo o momento
Com elenco recheado de estrelas, o remake de “Vale Tudo” reservou um ponto de surpresa ao escalar o até então desconhecido do grande público Ricardo Teodoro.
Na pele do divertido Olavinho, o personagem iniciou a trama como escada para as tramoias de Cézar, o galã oportunista interpretado por Cauã Raymond.
Com talento e um personagem bom em mãos, Teodoro aproveitou o crescimento do personagem na história para mostrar o bom ator que é, passeando por diversos núcleos e se destacando na novela assinada por Manuela Dias.
Com uma trajetória crescente no cinema a partir de filmes incensados como “Baby” e “Salve Rosa”, o ator tem investido em produções televisivas como “Pssica”, da Netflix, e na inédita “Jogada de Risco”, do Globoplay.
Melhor Autor - Raphael Montes, de “Beleza Fatal”, da HBO Max
Pela renovação
Criativo e bom de promover grandes viradas, Raphael Montes prendeu o público do streaming em 2025. Com nove livros publicados e tendo sua obra traduzida para mais de 20 idiomas, o autor poderia muito bem se limitar ao ofício de escritor de sucesso.
Porém, a paixão pelo audiovisual falou mais alto e, paralelamente, ele também acabou desenvolvendo sua porção roteirista. Depois do êxito de “Bom Dia, Verônica” na Netflix, o passo seguinte de Montes foi se tornar novelista em “Beleza Fatal”, trama lançada pela HBO Max que aumentou o número de assinantes da plataforma e fez grande sucesso nas redes sociais.
Meses depois, a adaptação de seu livro “Dias Perfeitos” para o formato de série, com texto de Cláudia Jouvin, só reforçou o potencial das ideias e enredos de Montes no movimento de renovação da teledramaturgia.
Melhor Atriz de Série - Marina Ruy Barbosa, a Suzane de “Tremembé”, do Prime Video
Asas da liberdade
O profissionalismo de Marina Ruy Barbosa sempre chamou atenção de autores e diretores da Globo. De forma bem pensada, a menina que estreou na tevê aos sete anos de idade chegou aos papéis mais adultos sem grandes problemas.
Ao longo dessa caminhada, além da beleza, a atriz se transformou em um bom chamariz de audiência e acumulou protagonistas.
Após 20 anos, o vínculo entre atriz e emissora chegou ao fim muito por conta da falta de sintonia entre os convites oferecidos pela Globo e as aspirações artísticas de Marina.
Livre do contrato, o primeiro passo da atriz foi interpretar as complexidades de Suzane von Richthofen, a protagonista de “Tremembé”, a elogiada série que se tornou o maior sucesso nacional do Prime Video. Sem amarras e entregue ao papel, Marina mostrou grande competência ao ter uma boa oportunidade em mãos.
Melhor Ator de Série - Ravel Andrade, o Raul de “Raul Seixas: Eu Sou”, do Globoplay
Canção vital
O último ano foi de muito trabalho para Ravel Andrade. Um dos protagonistas de “O Jogo que Mudou a História” e com um personagem de destaque na quarta temporada de “A Divisão”, produções do Globoplay, o grande momento do ator em 2025 foi, sem dúvida, sua performance na série biográfica “Raul Seixas: Eu Sou”, onde vive os altos e baixos do roqueiro baiano de forma inspirada.
Mergulhado no tom de realismo fantástico proposto pela produção e ciente das múltiplas personalidades do biografado, Ravel passeia pelas diversas facetas de Raul com paixão e liberdade.
Auxiliado por uma caracterização bem construída, em nenhum momento o ator parece imitar o cantor e compositor, apenas entrega a sua mais honesta versão do cultuado Maluco Beleza.
Destaque Negativo - “Êta Mundo Melhor!”, da Globo
Na mesmice
Revisitar o universo de “Êta Mundo Bom!”, sucesso exibido em 2016, parecia uma tática infalível da Direção de Teledramaturgia da Globo.
Com forte apelo popular, a história de Candinho, de Sérgio Guizé, aglutina todos os ingredientes que simbolizam o horário das seis ao ser uma novela de época, com grandes histórias românticas, núcleo infantil e mensagem de esperança.
Porém, apesar do potencial, “Êta Mundo Melhor!” se mostrou uma novela sem propósito. Com trama principal estagnada e repetitiva, o ritmo narrativo ficou comprometido desde o início.
Apesar do bom e numeroso elenco e da direção esmerada de Amora Mautner, a produção não acrescenta à trajetória do protagonista e é uma amostra de como continuações de novelas podem soar fracas e redundantes.

