Mestres do frevo ganham biografias

Maestro Duda e Getúlio Cavalcanti ganham biografias pela Cepe, em edições que serão lançadas no próximo domingo, no Paço do Frevo

Getulio Cavalcanti e Maestro Duda Getulio Cavalcanti e Maestro Duda  - Foto: Peu Ricardo/Jedson Nobre/Arquivo Folha

Em meio ao Carnaval, às vezes, passa desapercebido pelo folião o pensamento de quem participou dos meios de criação dos frevos que estão sendo alegremente entoados. De quem participou de forma ativa do processo de construção deste ritmo que é Patrimônio Imaterial da Humanidade. As trajetórias do Maestro Duda e de Getúlio Cavalcanti se misturam à própria história da Folia de Momo.

O escritor Carlos Eduardo Amaral é responsável por contar estas duas biografias, que serão lançadas no domingo (25/02), no Paço do Frevo, no Bairro do Recife. Quem publica é a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Os títulos - o de Getúlio chamado "Último Regresso" e o de Maestro Duda, "Uma Visão Nordestina" - fazem parte do selo "Frevo, Memória Viva" criado para realçar o legado daqueles que contribuíram para a história do gênero.

Aos 82 anos, José Urcisino da Silva, o Maestro Duda - regente, compositor, arranjador e instrumentista - não demonstra sinais de cansaço. Membro da Academia Pernambucana de Música e Patrimônio Vivo de Pernambuco, o artista nascido em Goiana, onde ingressou na carreira na Sociedade Musical 12 de Outubro (Banda Saboeira), não esconde a gratidão por ser biografado. "Para mim, é uma honra ter sido um dos escolhidos", fala Duda. Ele também comenta sobre a necessidade de manter viva a memória de uma época áurea do frevo. "Trabalhos como estes evidenciam a trajetória de quem somou à cultura pernambucana, de quem através de composições formou a alma do frevo", finaliza.

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Getúlio Cavalcanti, 76 anos, endossa esse coro. Tendo recebido influência direta do Maestro Duda, Getúlio argumenta que o frevo de antes e o de agora não podem ser comparados. "Em um momento em que é o frevo está sendo muito cantando dentro dos clubes, precisamos valorizar o de rua, os frevos-canção, realizar o resgate do que sempre foi tradição do povo pernambucano". Getúlio Cavalcanti, que iniciou sua carreira no início dos anos 1960, hoje aponta os Maestros Spok e Forró como grandes nomes de uma "nova geração" de compositores e arranjadores. "Apresento um show autoral mas sempre trago uma ou outra canção de grandes músicos".

"É importante que o público conheça a vida e obra dessas pessoas, suas vivências e seus meios criativos. Fortalece o entendimento das pessoas acerca do frevo e de quem o faz", comenta Carlos Eduardo Amaral, que fala um pouco sobre seu próprio método de escrita. "Além do próprio biografado, ouço umas sete ou oito pessoas. Junto com a pesquisa bibliográfica para dar ínicio a narrativa". O jornalista e crítico musical também assina outra biografia desta série, a do Maestro Formiga (Ademir Araújo).

Serviço:
Lançamentos da "Coleção Frevo, Memória Viva"
Neste domingo (25/02), às 15h
No Paço do Frevo (Rua da Guia, s/n, Bairro do Recife)
Valores dos livros: R$ 30 (livro físico) e R$ 9 (E-book)
Pontos de venda: lojas física e online da Cepe, livrarias Imperatriz, Jaqueira e Livraria da Praça

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