Milton Nascimento volta a Pernambuco com a turnê de 'Semente da Terra'

Artista defende repertório com forte conotação política e social, no show que leva nesta quinta-feira (24) ao Teatro Guararapes

Milton Nascimento, cantorMilton Nascimento, cantor - Foto: Nathalia Pacheco/Divulgação

Foi nas lideranças espirituais da nação Guarani Kaiowá que Milton Nascimento, que completa 75 anos em outubro, buscou a inspiração para Semente da Terra, nome de batismo indígena do artista, que também nomeia o show que será apresentado nesta quinta-feira (24), no Teatro Guararapes (no Centro de Convenções, em Olinda). E é justamente a conexão com as raízes que Bituca, apelido do artista, explora em seu retorno aos palcos, após problemas de saúde.

O repertório da noite contempla clássicos de diversas fases da carreira de Milton, incluindo o histórico “Clube da Esquina” (1972), que completa 45 anos em 2017, mesmo ano dos 50 de "Travessia".

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Na escolha das músicas, forte conotação política e social, com um apanhado do que foi mostrado nas três últimas turnês: "Uma Travessia" (2012), "Linha de Frente" - em parceria com Criolo (2014), e "Tarde" (2015). “Milagres dos Peixes”, “Terceira Margem do Rio” e “Lágrimas do Sul” dividem espaço com canções de trabalho como “Canção do Sal” e “Caxangá”, além de composições criadas ao lado de Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Márcio Borges, Chico Buarque e Caetano Veloso .

Para acompanhá-lo, uma banda formada pelo violonista Wilson Lopes, que também cuidou da direção musical do show; seu irmão Beto Lopes (violão sete cordas); Lincoln Cheib (bateria); Alexandre Ito (contrabaixo); Bárbara Barcellos (cantora de Minas Gerais); Kiko Continentino (piano) e Widor Santiago (metais). Em entrevista à Folha de Pernambuco, Milton antecipa detalhes do show e opina sobre o papel da música no cenário político atual.

Entrevista > Milton Nascimento

Milton, neste ano são celebrados 45 anos do disco do Clube da Esquina. Você faz ou pensa em fazer algo especial para a ocasião?
Tem um momento desse show que eu tenho dito o seguinte: está tudo aqui. Tanto os cinquenta anos de "Travessia", quanto os 45 anos de Clube da Esquina. E todas as datas e passagens importantes da minha vida a gente colocou neste novo show. As pessoas que estiverem conosco (nesta) quinta-feira no Teatro Guararapes vão sentir isso com certeza.

O período longe dos palcos te vez reavaliar sua relação com o público? Como está o Bituca no palco hoje?
Estou muito mais feliz. Viajar o Brasil inteiro ao lado de grandes amigos é um privilégio sem tamanho. Ainda mais com um projeto como esse que estamos levando ao Recife, que faz questão de passar uma mensagem positiva e também de esperança. Acho que isso é o mais importante.

Você já tem planos de gravar algum novo trabalho?
Tenho feito algumas coisas, inclusive com novos parceiros. Logo mais tem coisa nova pintando por aí. O que posso adiantar agora é isso, pois ainda é uma fase inicial de tudo.

Nos anos 1980, algumas músicas suas serviram de inspiração para movimentos juvenil que se opunham à Ditadura. Como observa o papel da música nos movimentos sociais, especialmente no atual contexto nacional?
Eu penso o seguinte: cada um deve fazer aquilo que achar melhor. Os artistas (e de qualquer área) precisam seguir de acordo com seu próprio pensamento e, principalmente, inspiração.

E nos anos 1970, você lançou trabalhos experimentais, como "Milagre dos Peixes" e "Geraes", que foram sucesso de público. Você acha que as gravadoras possibilitavam uma liberdade artística maior aos artistas?
Como as gravadoras podiam dar mais liberdade se a gente vivia uma ditadura? Os censores tinham acesso a tudo. Então, imagina como era... Você fazia a música e ela já tinha que passar por uma comissão inteira, era tudo muito complicado.

Serviço:
Milton Nascimento apresenta "Semente da Terra"
Teatro Guararapes (Centro de Convenções, Olinda)
Nesta quinta-feira (24), às 21h
De R$ 60 a R$ 180
Informações: (81) 3182-8020

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