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Miss Santa Catarina quer inspirar meninas após ser 1ª negra a triunfar no concurso

Após mais de 60 anos, modelo Bruna Valim, 27, se tornou a primeira miss a vencer o concurso de beleza de Santa Catarina

Bruna Valim, eleita Miss Santa Catarina 2021Bruna Valim, eleita Miss Santa Catarina 2021 - Foto: Reprodução/Instagram

A modelo Bruna Valim, 27, se tornou a primeira miss a vencer o concurso de beleza de Santa Catarina que dá vaga ao Miss Universo Brasil após mais de 60 anos. Feliz com o resultado divulgado no último domingo (10), a moça nascida no Pará e que passou a vida toda em Otacílio Costa (SC) afirma que agora deseja inspirar pessoas.

"Meninas já estão me mandando mensagem como se eu estivesse abrindo portas. Acredito que desde 2019 comecei a me destacar, gostar mais de mim e me ver representada na moda. E hoje posso servir de inspiração nessa representatividade. Estou sentindo essa responsabilidade", opina.

Embora tenha vencido, Bruna afirma que não esperava colocar a coroa na cabeça esse ano. Sua meta inicial era mostrar toda a sua desenvoltura para ficar no top 3 das finalistas.

Criado em 1955, o Miss Santa Catarina nunca havia tido uma negra como miss. Isso também passava na cabeça da modelo, mas ela revela que preferiu não pensar nesse retrospecto e confiar que os jurados avaliariam não uma característica específica de cor de pele, mas um conjunto.

 

"Por mais que a gente se prepare, sempre acha que falta algo. Eu tinha me preparado e era hora de mostrar porque merecia. Por ser negra, tinha algum receio de que isso viesse a acontecer [não vencer pela cor da pele no estado], mas sempre fomos tratadas igualmente. Estou onde mereço", opina.

A repercussão, segundo ela, tem sido maravilhosa. Muitos veículos de imprensa nacionais têm procurado por Bruna, algo inimaginável semanas atrás. A modelo, que na época de colégio não gostava muito de seu corpo e cabelo e sofria com comentários maldosos, tira de toda essa história de superação algumas reflexões.

"Vejo as possibilidades que nós podemos se acreditarmos mais em nós. Inseguranças são normais, há altos e baixos. Mas agora minha jornada de autoconhecimento está num nível muito legal, estou feliz por me sentir bem nos lugares que ocupo", afirma.

"Hoje vivo em um ambiente acolhedor e de pessoas que creem em mim. Tinha me decepcionado em ver uma sociedade que não olha para frente e só analisa cor de pele, mas tenho esperanças. Sei que sofro menos do que quem tem a pele mais escura", avalia.

A expectativa agora é participar do Miss Universo Brasil, que será realizado no início de novembro. Se vencer, irá para o Miss Universo, concurso de beleza mundial.

"Já estou na preparação e me sinto honrada em estar em um time de mulheres com projetos sociais. Não só eu, mas todas ali estão quebrando algum preconceito e se superando. Toda beleza é possível, vamos celebrar a diversidade", conclui.

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