Morre Newton Carlos, pioneiro do jornalismo internacional, aos 91

Nascido em Macaé em 19 de novembro de 1927, Newton Carlos começou a carreira no extinto Correio da Manhã

O jornalista Newton CarlosO jornalista Newton Carlos - Foto: Divulgação/Família

Morreu nesta segunda-feira (30) no Rio de Janeiro o jornalista Newton Carlos de Figueiredo, pioneiro na cobertura internacional na imprensa brasileira, especialmente de notícias e análises sobre América Latina.

Ele estava hospitalizado desde a última sexta-feira (27), com uma pneumonia. Foi sua terceira internação neste ano.

Nascido em Macaé em 19 de novembro de 1927, Newton Carlos começou a carreira no extinto Correio da Manhã, foi chefe de reportagem da revista Manchete e o primeiro editor internacional do Jornal do Brasil.

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Foi colunista da Folha por 25 anos, comentarista da rádio e da TV Bandeirantes e, até o início deste ano, colaborava para o Correio Braziliense. Também escreveu para veículos internacionais em países como Itália, Argentina, Peru e México.

Contemplado com o prêmio Rei da Espanha, escreveu diversos livros, entre eles "América Latina Dois Pontos", "Bush e a Doutrina das Guerras sem Fim" e "A Conspiração".

O jornalista inspirou colegas como o decano Clóvis Rossi, que morreu em junho deste ano e se referia a ele como "maestro" e "precursor do colunismo em assuntos internacionais na mídia brasileira": "Minha referência quando comecei a trilhar os caminhos que ele conhecia tão bem", escreveu Rossi, em uma coluna em agosto do ano passado, na Folha.

Newton Carlos deixa a mulher, Eliana Brazil Protásio, e três filhas: Claudia, Marcia e Janaína Figueiredo, jornalista de O Globo.

"Ele fez coberturas no mundo inteiro: esteve em várias eleições americanas, foi para a África diversas vezes. Mas a América Latina era a grande paixão dele", diz Janaína.

"Ele foi minha maior inspiração. Fez amigos por onde passou, tinha uma rede de contatos muito grande. Consegui conviver com ele durante 23 anos de profissão, foi uma honra para mim."

Janaína destaca também a resistência do pai durante a ditadura militar. "Ele foi perseguido, teve que passar um tempo escondido. Encontrava uma forma de falar do Brasil nos textos de política internacional, por meio do que acontecia em outros países. Cobriu o golpe do Pinochet no Chile, vários golpes na Argentina. Ele foi uma luz para muita gente nesse período", conta.

O velório de Newton Carlos será no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, nesta terça (1º), às 13h.

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