'Morro da Paixão' encena os últimos momentos de Cristo

Espetáculo ocorre gratuitamente em única apresentação neste domingo (18) no Morro da Conceição

Cerca de 120 pessoas - entre atores, bailarinos e músicos - estão envolvidos no projetoCerca de 120 pessoas - entre atores, bailarinos e músicos - estão envolvidos no projeto - Foto: Divulgação

Um programa gratuito e imperdível acontece neste domingo (18), no Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife. Será a única apresentação de "Morro da Paixão", espetáculo que traz a história da morte e ressurreição de Cristo, numa parceria entre o Projeto Aria Social, o programa Mais Vida dos Morros (da Prefeitura do Recife) e a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, com apoio da Fundação Gilberto Freyre.

Cerca de 120 pessoas, entre atores, bailarinos, músicos e outros profissionais, vão apresentar uma versão diferente da que habitualmente estamos acostumados a ver no período da Páscoa. "Não é grande em termos de produção, mas no impacto, na importância do projeto. A montagem sai do tradicional e valoriza nossa cultura popular, promovendo uma interação incrível com a comunidade", conta a diretora geral do espetáculo e idealizadora do Aria Social, Cecilia Brennand.

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Não é a primeira vez que o Aria Social rememora os passos do calvário de Cristo: a encenação já acontecia há pelo menos dez anos, de forma interna, dentro de uma perspectiva pedagógica e de evangelização. Mas depois de Cecilia receber a sugestão do secretário executivo de Inovação Urbana do Recife, Tullio Ponzi, de levar a peça para o Morro da Conceição (que é um dos espaços religiosos mais tradicionais do Brasil), e de, na sequência, receber aval e pleno apoio do padre Renato Azevedo, a proposta se ampliou e engrandeceu. Um roteiro foi especialmente escrito por Ana Emília Freire. A trama da peça mescla passagens religiosas a elementos da cultura popular, com destaque para a literatura de cordel. Três brincantes narram a história, por meio de versos.

As coreógrafas Ana Emília e Carla Machado ensaiaram paralelamente com os jovens do Aria Social e moradores do Morro da Conceição, bem como com as crianças e adolescentes com Síndrome de Down do projeto Arte para Todos (promovido pelo Aria Social) e do Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (Cervac) no Morro da Conceição. O corpo de baile foi coreografado por Inês Lima.

A maioria é de jovens que estão há pouco tempo envolvidos com arte, mas que impressionam ao dançar, cantar e interpretar. Servindo como "âncoras" entre as dezenas de participantes, os integrantes da Companhia Sopro-de-Zéfiro/Cecilia Brennand, que são profissionais formados pela instituição, estão à frente dos papéis principais, como Jesus (Rodolpho Silva), Maria Madalena (Luzii Santos), Judas (Charly Du Q), Salomé (Julyanne Rocha), Satanás e Pilatos (Rodrigo Gomes). Cecilia representa Nossa Senhora.

No repertório musical, cuidadosamente definido pela maestrina Rosemary Oliveira, as linguagens erudita e popular se mesclam de maneira harmoniosa e se destacam a "Missa Armorial", de Capiba, e clássicos como "Aleluia", de Haendel, e "Pai Nosso", de Malotte. "Queremos ampliar o acesso das pessoas a esse tipo de música", diz Rosemary. Toda a apresentação será executada ao vivo por um coro de 45 vozes, acompanhado de teclados e percussão.

Integrantes da Companhia Sopro de Zéfiro interpretam os papéis principais

Integrantes da Companhia Sopro-de-Zéfiro/Cecilia Brennand interpretam os papéis principais - Crédito: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

Já o eclético figurino é outro diferencial que quem for assistir a "Morro da Paixão" vai ter o prazer de conferir. Assinado por Beth Gaudêncio, ele prima pelo reuso da indumentária de espetáculos anteriores promovidos pelo Aria, como "Lua Cambará" e "Três Compassos". Isso, porém, não significa ausência de estudo ou descuido. Beth conta que se inspirou em pinturas medievais e no filme "Jesus Cristo", de Mel Gibson, para chegar a uma paleta de cores sóbria e minimalista, quase sombria, que só abre espaço para cores vibrantes nos detalhes das roupas dos brincantes.

"Nossa proposta nunca foi concorrer com os grandes espetáculos, mas somar com aquilo em que acreditamos. O resultado final foi bastante animador e já pensamos buscar financiamento e fazer novas parcerias, em outras datas festivas, para que o Aria possa cada vez mais 'sair da toca' e dar esse retorno social positivo à comunidade", finaliza Cecilia Brennand.

Serviço:
“Morro da Paixão”
Na Praça da Conceição, em frente à torre da Igreja
Domingo (18), às 19h

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