Mostra 'Compacto' propõe desconstruir para ir em frente

Exposição segue até 20 de janeiro, na galeria Amparo 60, no Pina

Governador Paulo CâmaraGovernador Paulo Câmara - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

 

O processo de deslocamento fica muito mais fácil quando o indivíduo carrega consigo uma bagagem compacta, que pode até se expandir quando chegar ao destino, tal como a lona de um circo. Claro que o tamanho da ocupação vai depender da área disponível. O mesmo pensamento vale para o espaço de uma galeria, na concepção do artista plástico Marcelo Silveira. Para ele, não é o lugar que se adapta às obras, “Muito pelo Contrário”. Esse é o título de um dos seus trabalhos - um livro repleto de palavras antônimas decalcadas -, e faz parte da exposição “Compacto”, com abertura nesta quinta-feira (17), às 19h, na galeria Amparo 60, no bairro do Pina.
Algumas produções são recentes, outras mais antigas, mas elas se uniram em torno de um pensamento comum: o de romper com as regras. Ao fazê-lo, Marcelo acaba criando um novo ritual, como se fosse uma maneira diferente de pensar sobre um objeto e a ideia que ele desponta na cabeça de cada indivíduo. “O espaço me motiva quando o vejo a partir de dimensões incontroláveis, e organizo minha obra pela medida do ‘olhômetro’. Acredito que as regras são feitas para serem quebradas, ainda que eu mesmo as institua quando faço o exercício de agrupar coisas”, declara o artista, para quem o mundo da dúvida parece muito mais simpático e prazeroso do que o das certezas.

Certas de que iriam parar no lixo após cumprirem sua vida útil como cadeiras, elas fizeram um pacto com o artista para existir, foram desmontadas e se transformaram na obra ‘Compacto 1’. O painel de madeira, ‘Compacto 2’, é resultante de vários pedaços recolhidos e agrupados como se fosse um livro. Só que aberto, para que outras pessoas compartilhem. A palavra compacto quer dizer que os elementos estão fortemente ligados, bem unidos. “Nós precisamos do outro para existir”, avisa.

Sobre uma mesa, livros de artista abertos e fechados compõem outra parte da exposição. Caso de “Lições Modernas”, cujas páginas estão preenchidas com formas geométricas e imagens feitas dos antigos adesivos usados pelos designers gráficos, a letra sete. Em caixas rosas de acrílico, textos diversos, em idiomas diferentes, foram uniformizados a partir de colagens, e originaram formatos como se tivessem sido construídos por palavras.

“A proposta de compactar é uma posição política contemporânea que envolve uma atitude de mudança dos costumes e de convivência coletiva para estabelecer pactos e negociações”, resume a curadora da mostra, a historiadora Joana D’Arc. A exposição ainda contará com um espaço para interação com obras de outros artistas, como Isabela Stampanoni, José Paulo e Manoel de Barros.

 

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