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Música e esports: uma união que dá certo

Artistas como Alok e Emicida ganham vida nos jogos e vão além das apresentações em eventos de esports

DJ Alok durante o Mundial de Free FireDJ Alok durante o Mundial de Free Fire - Foto: Garena/Divulgação

Para quem joga, seja no celular, PC ou console, ter uma boa trilha sonora para acompanhar é um bom caminho para deixar a experiência de jogar ainda mais divertida. Porém, as produtoras de jogos estão indo além de inserir playlists: estão conectando os jogadores com os artistas e criando mais conteúdo de entretenimento, unindo música e jogos. Bons exemplos disso estão aparecendo no mundo do esportes eletrônicos, onde aberturas de torneios cada vez mais impactantes e canções inéditas ajudam a trazer um público novo e maior aos esports.

Idealizadora do League of Legends, a Riot Games é um bom exemplo de como estas parcerias evoluíram. Em 2014, a empresa trouxe os americanos do Imagine Dragons para a disputa do Mundial da modalidade, realizado na Coreia do Sul. Com a música “Warriors” e um clipe temático do LoL, a banda alcançou 236 milhões de visualizações no YouTube.

Porém, o melhor ainda estava por vir. Mesmo trazendo artistas já conhecidos para performar ao vivo, em 2018 a Riot anunciou novos sons que foram além da temática do torneio. É o exemplo da K/DA, formado Madison Beer, (G)-IDLE (grupo de K-Pop) e Jaira Burns. A performance contou com as artistas se apresentando lado a lado das personagens de League reproduzidas no palco por meio de realidade aumentada. O videoclipe de "POP/STARS" alcançou o primeiro lugar nas paradas musicais da Billboard, o número 1 na Top Songs do Google Play, o número 1 no iTunes K-Pop e o número 2 no iTunes all Pop. A música acumulou mais de 242,8 milhões de streams considerando os vídeos também.

Em 2019, um novo grupo foi criado. Com um time de estrelas composto por Becky G, Keke Palmer, SOYEON do (G)I-DLE, DUCKWRTH e Thutmose, o “True Damage” apresentou o single GIANTS, que em um mês alcançou mais de 41 milhões de visualizações. “Quando League of Legends foi lançado, dez anos atrás, nenhum de nós poderia imaginar o fenômeno cultural que se tornaria”, disse a produtora-chefe de League of Legends, Jessica Nam. “Agora, é notório que os jogos estão no centro da cultura pop, e não poderíamos estar mais orgulhosos dessa parceria com grandes talentos para mostrar o que o League representa para o mundo”, afirmou.

Para o cenário nacional, a ideia não foi diferente. Em 2018, o rapper Emicida trouxe a música “É Só Um Joguinho”, com frases de influencers do LoL no Brasil. Já em 2019, o artista apareceu dentro do jogo, dando voz ao personagem Ekko na skin (roupa do personagem) temática da True Damage. Com estilo único e trazendo frases de dublagem mais conectadas ao estilo musical, o Emicida tornou-se uma referência na união entre esports e música no Brasil.

"Desde quando tivemos a chance de fazer parte da trilha, conseguimos desenvolver uma relação muito verdadeira tanto com a Riot quanto com a história do League of Legends. Eu admiro não só o LoL, mas todo o mundo dos games”, diz Emicida. “Eu me sinto lisonjeado por ser convocado para fazer parte desse episódio. Ainda mais num momento tão especial como esse que estamos vivendo, que é de ascensão, de luta por reconhecimento e de conscientização do Brasil a respeito da contribuição das pessoas de pele preta. Então, pegar um personagem que nem o Ekko e dar vida para ele, levar um pouco da nossa verdade para dentro dele, é uma honra gigante", completou o rapper.

Não só o League of Legends tem feito sucesso com parcerias musicais dentro dos jogos. Outro bom exemplo é o Fortnite, desenvolvido pela Epic Games e que tem como um de seus embaixadores o DJ Marshmello, que já realizou parcerias com cantoras como Selena Gomez. O artista esteve presente dentro do jogo também através de um personagem, e realizou um show virtual com fogo de artifício e hologramas. O DJ também encorajou os presentes a pularem e a utilizarem emotes de dança. O resultado? Praticamente 10 milhões de jogadores que estavam logados no jogo no momento e assistiram à performance.

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DJ Alok é o novo personagem do Free Fire

Free Fire

Sucesso entre os jovens, o Free Fire, jogo desenvolvido pela asiática Garena, apareceu em 2019 como um grande fenômeno dos jogos mobile e no mundo do esports. Na palma da mão e com gráficos mais fluidos, o FF logo se tornou o jogo para celular mais baixado no Brasil. Acompanhando o sucesso de downloads, a Garena também aproveitou para se conectar ainda mais com o público, utilizando elementos de sucesso da música nacional.

Em novembro, a empresa trouxe o DJ Alok para uma parceria dentro e fora do Free Fire. O artista virou um dos personagens do game, com habilidades características relacionadas à música. Além da caracterização dentro do jogo, Alok também trouxe sua música, “Vale Vale”, que virou tema do Mundial de Free Fire, realizado no Rio de Janeiro em novembro. O DJ também se apresentou na abertura da competição.

“O nome do Alok surgiu ainda em janeiro, quando descobrimos que o DJ é um fã genuíno de Free Fire. Conversamos com o Alok e surgiu a ideia de colocá-lo dentro do jogo. Parte da verba (das vendas do personagem) serão revertidas para instituições de caridade, algo que partiu tanto da Garena quanto do Alok. No Brasil, o próprio DJ vai decidir qual será a organização beneficente escolhida”, afirmou a Garena em resposta à Folha de Pernambuco.

Além de Alok, a Garena também trouxe atrações do rap e do funk para a elaboração de uma música inédita. Com MC JottaPê, da série Sintonia na Netflix e Mano Brown, a música “Zé Guaritinha” foi revelada na final do Mundial, e já possui 11 milhões de visualizações no YouTube desde que foi lançada no canal KondZilla, em dezembro.

“A Garena está sempre desenvolvendo experiências e engajando nossa comunidade, local e globalmente. Trazer MC Jottapê e Mano Brown para apresentar uma música exclusiva para o Mundial de Free Fire diz muito sobre isso”, completou a empresa. 

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