Nando Reis se inspira na natureza para falar de relações afetivas em disco

"Jardim-Pomar" traz romantismo mais acelerado em suas canções

Renovação de programas feitos em parceria com o governo federal ajudará catadores de material reciclável e empreendimentos solidários Renovação de programas feitos em parceria com o governo federal ajudará catadores de material reciclável e empreendimentos solidários  - Foto: Divulgação

Em eterna busca pela tradução da sua relação com a arte, o músico Nando Reis nomeou o seu nono disco de estúdio em carreira solo de “Jardim-Pomar”. Lançado em novembro de forma independente, o álbum traz um apanhado de músicas que tentam resumir a beleza das flores e oxigenar o pensamento, co­mo as árvores, assim definiu o próprio compositor, em entrevista à Folha de Pernambuco. Porém, a ideia da natureza se limita à inspiração do cantor que, na verdade, fala das questões afetivas, como já é habitual no seu trabalho.

No entanto, o romantismo vem em ritmo mais acelerado, já que o músico paulistano retoma as raízes e investe no rock como arranjo de grande parte do repertório. “Fui por esse caminho primeiro porque é minha predileção, e também porque sentia falta. Quando fazia shows, percebia que as músicas tinham andamento lento, o disco ficou assim porque tem a função de abastecer um repertório de shows. Mas também é o trabalho em que há maior gama de diversidade estilística daquilo que expressa minha formação musical”, defende o compositor, que gravou a canção “Água-Viva” em uma “quase” homenagem a Gilberto Gil, por exemplo.

A faixa tem melodia comandada pelo violão de nylon e violinos no pano de fundo para a letra que tenta responder questionamentos da existência humana. “Não estamos sós, só sempre sozinhos, ser é ser um só, somos o que sentimos”, diz os versos. Os momentos de intimismo se dividem com outros mais dançantes, como em “Pra Musa”. Apesar do intuito de se reaproximar do rock mais cru em faixas como “Infinito Oito”, e no toque de blues em “Deus Meu”, Nando Reis acaba se saindo melhor nas baladas, como no potencial sucesso “Concórdia”, e no primeiro single “Só Posso Dizer”, que teve duas versões, uma mais lenta, feita em São Paulo, e outra mais acelerada, feita na cidade norte-americana de Seattle.

“Não foi a primeira vez que gravei em Seattle, mas foi a primeira em que estive lá com mais espaço. Os músicos com quem toco e o ambiente sempre influenciam, e lá percebi que eu queria experimentar versões mais rápidas”, explica ele, sobre a inspiração da cidade, que é referência para o rock underground. A passagem pelos Estados Unidos foi consequência do convite para tocar em um cruzeiro com destino ao Alasca e deu oportunidade ao músico de contar com as participações dos guitarristas Peter Buck (ex-R.E.M) e Mike McCready (Pearl Jam), além dos produtores Jack Endino, que também assina o antecessor “Sei”, e Barrett Martin.

No Brasil, parte das músicas foi gravada no Rio de Janeiro e em São Paulo, como “Azul de Presunto”, que tem participação de Pitty, Luiza Possi, Tulipa Ruiz e dos ex-companheiros do Titãs Paulo Miklos, Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Branco Mello.

Não é à toa que a faixa soa como a antiga banda do cantor. “Eu gosto de trabalhar com muitos músicos e produzir coletivamente. É comum você ficar tão envolvido com o que faz e perder a perspectiva crítica; o produtor está ali percebendo isso”, observa Reis. 

Considerado pelo músico o seu trabalho mais independente e completo, “Jardim-Pomar” já está nas plataformas digitais e tem edições no formato de CD, fita K7 e Vinil duplo.

“O que eu faço é um disco, por isso prezo por esses formatos físicos. No digital não vem capa, por exemplo, e o que eu produzo não é um apanhado de músicas apenas. Tem uma sequência que permite uma compreensão mais profunda. Não quero ter controle da forma como as pessoas consomem, só quero que saibam que o que eu estou lançando é um disco inteiro”, defende ele, cuja capa do disco teve arte assinada por Vânia Mignoni.

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