Netflix aposta em suspense nacional com 'O Escolhido'

Em entrevista à Folha de Pernambuco, diretor e produtor-executivo Michel Tikhomiroff revela detalhes sobre a série, que estreou nesta sexta-feira

"O Escolhido" mostra três jovens médicos enviados ao pequeno vilarejo de Águaluz para vacinar a população"O Escolhido" mostra três jovens médicos enviados ao pequeno vilarejo de Águaluz para vacinar a população - Foto: Emiliano Capozoli/Netflix/Divulgação

Com “O Escolhido”, a Netflix investe pela primeira vez em um suspense sobrenatural produzido no Brasil. A série, que estreou na plataforma nesta sexta-feira (28), é ambientada no Pantanal e mostra o embate entre a fé e a ciência.

A trama gira em torno de Lucia (Paloma Bernardi), Damião (Pedro Caetano) e Enzo (Gutto Szuster), três jovens médicos enviados ao pequeno vilarejo de Águaluz para vacinar a população contra uma nova mutação do vírus da Zika. A missão, no entanto, esbarra na hostilidade dos moradores, que agem conforme a vontade de um misterioso líder, conhecido como O Escolhido (Renan Tenca).

A obra é livremente baseada na série mexicana “Niño Santo”, de 2010. O roteiro adaptado, escrito pelos renomados autores de literatura fantástica Raphael Draccon e Carolina Munhóz, incorpora ao enredo estrangeiro alguns elementos do folclore brasileiro.

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Ao longo de quatro episódios, os protagonistas lidam com uma série de acontecimentos enigmáticos que colocam suas próprias crenças em xeque. Para saber mais detalhes sobre a nova série, a Folha de Pernambuco fez algumas perguntas ao diretor e produtor-executivo Michel Tikhomiroff.

Confira a entrevista:

Qual foi o maior desafio ao dirigir “O Escolhido”?

O meu maior desafio foi a combinação de fazer uma série de um gênero muito consumido pelo público (suspense sobrenatural), mas pouco explorado pelo audiovisual brasileiro e cuja história se passa no Pantanal, um cenário também pouco retratado. Com muitas cenas externas diurnas e noturnas no meio da mata e em rios, foi uma verdadeira aventura para toda a equipe e elenco ter que lidar com adversidades como o excesso de calor, as chuvas e os insetos.

A série tem potencial para mais temporadas?

Acredito que sim. Mistérios não faltam para serem desvendados nesse gênero de série.



É difícil encontrar o tom certo para esse tipo de produção, que abraça o suspense como gênero?

Suspense me atrai muito. Eu exercitei essa linguagem no meu longa-metragem “Confia em Mim” e em várias sequências durante as quatro temporadas da série “O Negócio”, que também dirigi. Ao acrescentar o elemento sobrenatural no suspense, “O Escolhido” me deu a oportunidade de fazer um exercício ainda mais profundo. Mas essa oportunidade veio atrelada à responsabilidade de disponibilizar a série na Netflix simultaneamente em 190 países que estão acostumados a consumir esse gênero.

Foi um desafio tentar criar uma linguagem cinematográfica única, uma estética original que ao mesmo tempo atendesse à gramática do gênero mas que tivesse personalidade própria. Trabalhei com uma equipe incrível de profissionais que deram seu máximo para tentar chegar a um resultado que atendesse às expectativas dos fãs.

Na série, há o embate entre fé e ciência. Alguma semelhança com a realidade brasileira?

Acredito que esse dualidade é universal e atemporal. Esse assunto é muito rico e foi relevante ser debatido no México há quase uma década, assim como segue sendo relevante ser discutido no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo nos dias de hoje. O interessante da abordagem na nossa série é que ela ocorre sem julgamentos, sem tomar partido. Exploramos as contradições e nuances dessa dualidade trazendo mais perguntas do que respostas.

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