No dia do aniversário do Recife e Olinda, artistas comentam sua relação com as cidades-irmãs

Lugares estão entre as sete cidades mais citadas do Brasil num ranking de letras de músicas

Siba, que nasceu no Recife e cresceu em Olinda, ressalta ecologia sonora particular de cada localidadeSiba, que nasceu no Recife e cresceu em Olinda, ressalta ecologia sonora particular de cada localidade - Foto: José de Holanda/Divulgação

Os aniversários de 481 anos do Recife e 483 anos de Olinda nesta segunda-feira (12) ressaltam, além da história das cidades, a presença fundamental da cultura no processo de formação urbana, social e política. Nesse contexto, a música é um documento importante.

Canções como "Recife, Minha Cidade", de Reginaldo Rossi; "A Cidade", de Chico Science e Nação Zumbi; "Bairro Novo/Casa Caiada", da Banda Eddie; "Voltei, Recife" e "Olinda", de Alceu Valença; "Recife, Cidade Lendária", de Capiba; "Leão do Norte", de Lenine, entre tantas outras, são exemplos de registros valiosos sobre as cidades, canções que pela força lírica e impacto cultural permanecem nas listas afetivas dos pernambucanos.

Entre os artistas pernambucanos que encontram inspirações no Recife e em Olinda está Juliano Holanda, que nasceu em Goiana e cresceu em Olinda. "Olinda tem muitas faces. O som do subúrbio, afoxés, forrós. Em Jardim Atlântico, nos anos 1990, ouvi Pixies, Bowie, Television", lembra Juliano, que tem em Olinda e no Recife fontes de inspirações em sua trajetória autoral.

"Cada cidade tem uma melodia e um compasso próprio. Olinda é 2/4. Recife é 7/8. Minha arte é filha desses dois ambientes. Recife é letra: poesia marginal no Beco da Fome. Olinda é música: som de tambores e metais na ladeira. Olinda é mar. Recife, rio. Ou pode ser o contrário. No final, tudo é água e sabe bem se misturar", reflete.

"A cidade em que você nasce, cresce ou escolhe viver afeta sua vida de modo definitivo, molda o jeito que você vai viver, o ritmo de sua vida, as pessoas com quem você vai se relacionar", diz o cantor e compositor Siba, que nasceu no Recife e cresceu em Olinda.

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"Para o artista, a cidade onde nasceu e cresceu é fundamental como referência. Recife e Olinda são cidades que têm uma ecologia sonora muito particular. Não dá para escapar, não dá para ignorar. Você pode até não gostar, negar, mas não pode deixar de ser afetado. São cidades que deixam uma marca profunda em qualquer artista que vive nelas", ressalta Siba, que destaca a cultura popular como uma referência em seu processo de criação.

Palestra

Além da música, Recife e Olinda também vibram em outras artes. Ocorre hoje a palestra "O Recife aos 481 anos: uma cidade que precisa voltar a ser mítica", ministrada pelo arquiteto e consultor de empresas Francisco Cunha, nesta segunda-feira (12), às 15h, na Academia Pernambucana de Letras (Avenida Rui Barbosa, 1596, Graças).

"O Recife, algumas décadas atrás, estava no imaginário dos próprios habitantes como uma cidade de referência. Era reconhecida como uma espécie de capital da cultura", diz Francisco.

"Tudo acontecia no Centro da Cidade. Tinha comércio, jornais, bancos, faculdades e colégios. Tudo girava em torno do Centro. Até os anos 1970, quando começou a se esvaziar e a Cidade foi perdendo suas características, deixando de ser uma cidade mítica. Recife se tornou um lugar onde pessoas só têm queixas: engarrafamento, quando chove se torna Raincife, quando está quente se torna Hellcife. Houve uma queda de prestígio entre seus próprios moradores", destaca.

Francisco nota que o processo de mudanças começou com o Golpe Militar, em 1964. "No Centro se reunia direita e esquerda. Com o Golpe, a esquerda sumiu. Depois houve uma política deliberada de esvaziamento do Centro. Os colégios foram progressivamente indo para os subúrbios, a faculdade foi para a Cidade Universitária. As enchentes assustaram a classe média. Depois, veio o golpe no comércio, com a abertura do Shopping Recife", detalha Francisco.

"Uma cidade sem centro perde a vitalidade. A cidade se fragmentou, virou um quebra-cabeça desmontado. Pode ser remontado, mas precisa do esforço da sociedade, do poder público", ressalta.

Lista

Um estudo feito pela empresa Holidu (www.holidu.com.br) mostra as cidades mais populares na música. A pesquisa é baseada no número de vezes que uma cidade aparece no título ou na canção. O estudo, que envolveu mais de 300 cidades e analisou mais de 14 milhões de músicas, apontou o Recife como a quinta mais citada, com 188 menções, enquanto Olinda ocupa a sétima posição (125).

O ranking é composto por Rio de Janeiro, em primeiro lugar (1.311 músicas), seguida por São Paulo (1.194), Belém (633) e Brasília (450). O top 10 no ranking mundial conta com Nova Iorque (30.867 músicas), seguida por Paris (20.007), Londres (14.805), Roma (11.859), Nova Orleães (8.798), Miami (7.809), Berlim (6.267), Atlanta (4.834), Houston (4.737) e Tokyo (4.719).

Agenda

Para comemorar o aniversário do Recife e de Olinda, as prefeituras das cidades organizaram atividades. No Recife, a partir das 15h desta segunda-feira (12), no Boulevard Rio Branco, desfilam 33 agremiações do Carnaval 2018. Às 19h, a Família Salustiano sobe ao palco na Rio Branco, com coco, ciranda, cavalo marinho, maracatu e frevo. Haverá queima de fogos no Marco Zero.

Em Olinda, a partir das 8h, na Orla de Bairro Novo (em frente ao antigo quartel), ocorrem atividades esportivas. Depois, a festa segue para a Praça do Carmo: oficina de pintura com João Andrade (14h); e shows durante a tarde, incluindo apresentações do grupo Crioulas (15h) e Ciro Vasco (17h). Haverá ainda com corte de bolo (19h).

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