PEQUENOS LEITORES

No Instagram, crianças 'influencers' incentivam o hábito da leitura

Com páginas nas redes sociais, meninos e meninas dão dicas de livros para público da mesma idade

Luiza Meireles, Nina, Alyssa Tomiyama e Adriel Oliveira Luiza Meireles, Nina, Alyssa Tomiyama e Adriel Oliveira  - Foto: Divulgação

A carioca Nina Moura Rigotti tem 10 anos de idade e, desde maio do ano passado, se apresenta no Instagram como “Menina Leiturinha” (@meninaleiturinha). Na página, ela compartilha dicas de livros com internautas da mesma faixa etária. Assim como ela, existem outros “bookinfluencers” mirins: meninos e meninas que usam as redes sociais para falar sobre literatura e influenciar outras crianças a lerem.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Nina (@meninaleiturinha)

“Sempre que eu terminava de ler um livro, corria para comentar com a minha mãe sobre as minhas partes favoritas. Um dia, ela sugeriu que eu fizesse isso para mais pessoas, na internet, e eu topei”, relembra Nina. Todas as atividades da garota no mundo virtual são monitoradas pela mãe, que ajuda a gravar os vídeos e a publicá-los.

Rede que se multiplica 

Luiza Meireles (@luizam3m), 11, se transformou em influenciadora literária de forma semelhante à Nina. Em 2018, foi incentivada também pela mãe a criar uma página no Instagram para falar sobre seu amor pela leitura. Ela aproveita o espaço ainda para divulgar suas próprias obras. Moradora de Salvador, na Bahia, a menina é autora de três livros infantis.
 

Para não deixar seu público sem novidades, a garota - que diz devorar, em média, dois livros por semana - costuma seguir uma rotina de postagens disciplinada. “No domingo, eu e minha mãe sentamos para pensar em qual pode ser o conteúdo durante a semana. Depois, ao longo dos dias, vou filmando os vídeos e ela me ajuda a editar”, revela.

Mercado fortalecido

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Luiza Meireles (@luizam3m)

Para a pedagoga pernambucana Maria Cristina Tavares, os jovens influenciadores cumprem um papel importante no estímulo à leitura. “Além disso, eles ajudam na divulgação do trabalho de escritores independentes, que acabam tendo os seus trabalhos comentados por esses pequenos potentes, ganhando visibilidade com isso. Sou prova viva disso”, observa a educadora, que também é autora de livros infantis e comanda a Maria Livreira, livraria itinerante focada na literatura infantojuvenil etnicorracial.

A identificação com alguém da mesma idade, segundo a pedagoga, é capaz de gerar uma influência positiva em quem tem acesso a esse tipo de conteúdo nas redes sociais. Aplicada à realidade de crianças negras, essa representatividade gera uma verdadeira corrente de empoderamento. “Perfis como o da pequena Flor de Maria (@flordemaria.3), das Pretinhas Leitoras (@pretinhasleitoras) e dos Pretinhos Leitores (@pretinhosleitores) apresentam a literatura infantil afro-brasileira para crianças iguais a elas. Para as nossas infâncias pretas, são verdadeiros achados”, elogia.

Formação para o futuro

Adriel Oliveira, adolescente soteropolitano de 14 anos, conhece bem o poder que os livros têm na construção da autoestima. Ele diz que suas leituras o ajudaram a lidar com o ataque racista que recebeu em sua página no Instagram, a “Livros do Drii” (@livrosdodrii), em 2020. O ato de ódio, no entanto, gerou como resposta uma enxurrada de carinho nas redes sociais. Hoje, com mais de 530 mil seguidores, o garoto enxerga a leitura como uma ferramenta para o futuro.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Adriel, um normal... (@livrosdodrii)

“Pretendo seguir nesse mundo das redes sociais, mas também quero me tornar um advogado. Gosto de aprender assuntos novos e os livros me ajudam bastante nisso. Sempre uso os ensinamentos que eles me dão na vida real”, conta Adriel, que tem a fantasia como gênero literário favorito.  

Com apenas 14 anos, Alyssa Tomiyama já é, praticamente, uma “bookstagram” veterana. A adolescente de Americana, cidade do Interior de São Paulo, começou a falar sobre livros nas redes sociais da mãe, quando tinha ainda 9 anos. Em 2016, ganhou sua própria página, a “Alyssa e a Magia da Leitura” (@alyssaeamagiadaleitura), que acabou abrindo portas.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Alyssa Tomiyama | Bookstagram (@alyssaeamagiadaleitura)

“Comecei a receber convites para conversar com os alunos nas escolas e para feiras literárias, surgiram parcerias com editoras e escritores, fiz um curso de contação de histórias e comecei a planejar eventos na área”, conta a garota, que assina duas publicações e pretende se aprofundar na escrita para o público jovem.

“Para mim, o livro é um mundo de possibilidades: magia, reflexão, esclarecimento, diversão e esperança. A leitura traz a compreensão do mundo que estamos vivendo e abre nos faz entrar em outros universos. Se eu pudesse, moraria dentro de um livro”, brinca a influenciadora. 
 

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