Novas plataformas ganham espaço no mercado da Arte

Tendência de vendas online já alcançou o Recife, onde market places e sites de leilão oferecem acesso mais cômodo às obras

Empresário João Marinho busca peças para sua coleção tanto na internet como nas galerias presenciaisEmpresário João Marinho busca peças para sua coleção tanto na internet como nas galerias presenciais - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A comodidade de ter seu objeto de desejo ao alcance de um clique tornou-se realidade também quando se pensa em obras de arte. Tanto no Brasil como no exterior, são cada vez mais comuns os ambientes virtuais que vendem pinturas, esculturas, gravuras e outras peças. Alguns destes sites promovem leilões, prato cheio para investidores ou, simplesmente, para aqueles que sonham em arrematar alguma pechincha.

A tendência já alcançou o Recife, onde está sediado o market place SpotArt, galeria exclusivamente online que no momento lista obras de 74 artistas - de iniciantes a renomados, como Gilvan Samico. O espaço online traz vantagens para os galeristas (que não precisam disponibilizar área física para armazenar as obras), para os compradores (que podem acessar o site de qualquer lugar do mundo) e para os próprios artistas.

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Segundo Bia Melo, que tem aquarelas e gravuras à venda no SpotArt, é muito bom poder se preocupar apenas em produzir suas peças. "Já tentei outros caminhos, e até mesmo fazer meu próprio site. Mas a logística da plataforma tem se mostrado ótima", elogia. Outro artista, Luciano Mattos, integrante do coletivo Vacilante e bastante conhecido no meio artístico local, tem se revelado um campeão de vendas. Recentemente, ele inseriu seis novas obras no SpotArt, cinco das quais foram vendidas para um cliente gaúcho em menos de meia hora. "Fiquei muito feliz com isso, ainda mais diante do alcance que minhas peças alcançaram. Acredito que há alguns anos, isso seria muito difícil de acontecer", avalia.

A Bia, Luciano e demais artistas, cabe apenas cadastrar as obras que desejam vender (ou retirá-la do ar, caso a peça seja comercializada através de outro canal). Quando a venda é efetuada, a equipe do SpotArt fica responsável pelo manuseio e envio ao comprador. De acordo com Ricardo Lyra, que é um dos sócios do SpotArt, o site não tem contrato de exclusividade com os artistas. Ele cita, entre outras vantagens, o alto investimento em propaganda realizado no Google e no Instagram, levando o SpotArt a aparecer no topo das pesquisas.

Luciano Mattos vendeu cinco quadros em meia hora, dentro de plataforma virtual

Luciano Mattos vendeu cinco quadros em meia hora, dentro de plataforma virtual - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

"A internet deu liquidez ao mercado de arte"

A Galeria Arte Maior, que atualmente se divide em três segmentos (presencial, online e leilões) também vem se consolidando dentro dessa nova realidade. "Essas novas formas de comercialização vieram para ficar", pontua o proprietário da Arte Maior, Sérgio Oliveira. Ele conta que o primeiro site da empresa foi feito ainda em 1998, trazendo algumas imagens de exposições e artistas. Há cerca de cinco anos, ele passou a investir nos leilões. "A princípio, fazíamos leilões a cada três meses. Hoje, isso acontece de 20 em 20 dias", destaca. Em cada evento, há cerca de 150 lotes de peças que vão além de pinturas, esculturas e gravuras: ele também comercializa objetos como antiguidades, cristais e pratarias.

Grande parte das peças é ofertada por proprietários que precisam se desfazer das mesmas, por motivos como divisão de herança ou dificuldades financeiras. "O lance básico determinado geralmente é de 50% do valor do mercado. Se a obra for pouco disputada, é possível adquiri-la por um preço bem mais baixo do que numa galeria", destaca. Os custos de envio são por conta do comprador, que geralmente paga à vista, mas a Arte Maior se encarrega da burocracia do envio. "Antes, você tinha dificuldade de vender uma obra de arte, mesmo que tivesse qualidade. Agora, temos um mercado dinâmico, onde muita gente compra como investimento, para depois revender. Mesmo com toda essa crise, tem havido aumento nas vendas", comemora.

Embora muitos ainda se mostrem receosos em adquirir obras de arte através da internet, muitos compradores já aderiram à ideia. É o caso do empresário João Marinho, conhecido como um dos maiores colecionadores de arte contemporânea pernambucana. "Compro de todas as formas. Acho os leilões uma forma bem legal de estabelecer valores para as peças, gosto de passear pelas plataformas virtuais e continuo frequentando presencialmente as galerias. Acho válido que as pessoas busquem seus próprios caminhos", resume. Ele alerta para o risco de se adquirir obras falsificadas. "Na internet, você encontra de tudo. Então, é preciso comprar apenas em sites confiáveis, com chancela, onde você tenha a garantia da autenticidade das peças", frisa. Ele lembra, também, que as obras geralmente são diferentes na tela do computador. "Assim, ainda acho que o melhor é ver ao vivo o que está se comprando, na parede da galeria".

Dona da Amparo 60, Lúcia Santos diz que todas as formas de comercialização de arte são válidas

Dona da Amparo 60, Lúcia Santos diz que todas as formas de comercialização de arte são válidas - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

 "O espaço virtual é bom para todas as áreas"

Proprietários de duas das mais conceituadas galerias recifenses, Fernando Neves, da Arte Plural, e Lúcia Santos, da Amparo 60, se mostram tranquilos em relação às mudanças. "Todas as formas de comercialização são válidas. Não podemos atender a todos, no Recife existem poucas galerias e 80% do nosso casting de 34 artistas está há mais de dez anos na casa.Então, essa é uma oportunidade para muitos artistas. É válido que busquem formas alternativas de expor e vender seus trabalhos", pontua Lúcia. Para ela, a internet é um grande portal e a Amparo 60 tem planos de ampliar sua inserção no mercado online, atualmente mais restrita às redes sociais. "A gente também usa a internet com essa finalidade de divulgação, e se ainda não temos um site direto de vendas, é porque é preciso antes ter uma estrutura consistente, uma logística que funcione sem riscos. Se vamos fazer, temos que fazer direito. Essa é uma máxima que a gente tem", complementa Fernando Neves.

Enquanto o espaço virtual é inegavelmente mais rápido e cômodo, a venda presencial também traz suas vantagens. "Creio que os sites de vendas online funcionam muito bem para muitas coisas, mas não tanto para a arte, que é mais subjetiva", explica Fernando. Para ele, no entanto, a maior oferta de serviços online é o "caminho natural das coisas" e tem trazido, inclusive, retorno comercial à sua galeria, com vários clientes de fora do Recife buscando contato pelas redes sociais e pelo whatsapp.

Os dois galeristas reforçam a função educativa que as galerias possuem. "Não somos apenas um espaço de venda, e sim de formação de público, de projeção e de divulgação de artistas", afirma Lúcia. "Numa exposição presencial, a pessoa tem a oportunidade de ver a obra ao vivo, sua cor, sua textura, seus detalhes, e ainda pode conversar com o artista, com o curador, outros colecionadores, vários experts na área", descreve Fernando, que relata investir não apenas nas vernissages, mas em bate-papos, mini cursos e diversos eventos que movimentam a Arte Plural durante todo o tempo. "Quando a gente busca novos públicos e desperta interesse por uma arte de qualidade, está ajudando a formar novos compradores. Para nós, o comércio é uma consequência do trabalho. Logico, é o que sustenta a galeria. Mas você não pode simplesmente vender por vender quando se fala de arte", finaliza.

 

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