Novo álbum de Karina Buhr é o melhor e mais pesado da cantora

'Desmanche' é o quarto álbum da cantora

'Desmanche' é o quarto álbum da cantora'Desmanche' é o quarto álbum da cantora - Foto: Helia Scheppa / Divulgação

"Desmanche", quarto álbum de Karina Buhr, não é apenas o melhor disco da cantora. É também o mais pesado. Construído em sua maior parte por guitarra distorcida e tambores fortes, traz letras inspiradas e uma vocalista madura.

Os singles divulgados antes do lançamento do álbum traduzem a proposta principal desse trabalho bem batuqueiro. "Sangue Frio" e "A Casa Caiu", com versos que tocam em temas tórridos como abuso da polícia e corrupção dos políticos, são quase declarações de intenção da artista.

Se o questionamento feminista do álbum anterior, "Selvática" (2015), dá lugar a um debate mais abrangente do que acontece no país, uma coisa permanece firme no trabalho de Karina: seu talento para jogos com as palavras, em versos espertos, que mesmo incisivos soam divertidos.

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Um exemplo está logo em "Sangue Frio", que abre o disco: "O exército tá matador/ o tempo tá matador/ precisando exercitar paz e amor". Ou em "Filme de Terror": "Cada mão um copo cigarro/ no Carnaval todo mundo é ilegual".

"Temperos Destruidores" e "Lama" continuam a espalhar fúria de guitarra, a cargo de Régis Damasceno (da banda Cidadão Instigado), também produtor do disco com Karina, e percussão, executada pela cantora e Maurício Badé.

Outros nomes que ajudam essa viagem sonora são o rapper Max B.O., que faz com ela um dueto de canto quase falado em "Filme de Terror", e a cantora Isaar, ex-parceira nos tempos da banda pernambucana Comadre Fulozinha, na divertida faixa "Vida Boa É a do Atrasado".

Mas há momentos no álbum em que o ritmo desacelera. No entanto, a contundência das letras da quase brega "Amora" e da pop "Peixes Tranquilos" não fazem delas apenas pausas para respirar num disco tão requebrante.

Mesmo sem ser panfletária nem cair num protesto óbvio e devidamente formatado para consumo, Karina Buhr consegue transmitir nas dez músicas do álbum uma urgência que parece mais do que necessária nos tempos atuais de tensão política.

Na progressão natural de seus discos, desde "Eu Menti Pra Você" (2010), passando por "Longe de Onde" (2011) e o já citado "Selvática", ela parece radicalizar cada vez mais seu som. Não suaviza a arte que produz em busca de um padrão mais palatável para fazer sucesso, como tantos fazem sem pudor.

Na verdade, faixas balançadas como "Chão de Estrelas" (uma homônima pérola pop autoral, não a seresta clássica de Silvio Caldas e Orestes Barbosa) ou a balada delicada "Peixes Tranquilos" só não serão sucessos populares porque grande parte do público é rude demais para biscoitos finos.

Karina continua equilibrando força e doçura numa música muito peculiar. Dois lados da artista estão exibidos de forma enfática em "Tempos Destruidores", talvez o melhor exemplo dessa proposta pesada de guitarra e tambor tribal, e em "Nem Nada", canção difícil de classificar, com surdo e cuíca que podem até lembrar um samba.

Quem já viu as performances habituais da cantora, com atitude quase punk de muita entrega dramática que às vezes inclui simulação de uma autoimolação usando o fio do microfone como um chicote, deve ficar ansioso para descobrir como ela vai desfilar no palco esse disco com repertório tão hardcore.

O resultado pode ser visto neste sábado (3), com show de lançamento no Sesc Pinheiros, em São Paulo.

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