Novo documentário de vencedor em Cannes entra em cartaz no Cinema da Fundação

Na narrativa do filme de Eryk Rocha, as ideias se aproximam mais de uma espécie de relato impressionista

O filme é composto  apenas por imagens de arquivo, cenas clássicas ou pouco conhecidas de longas-metragens do movimentoO filme é composto apenas por imagens de arquivo, cenas clássicas ou pouco conhecidas de longas-metragens do movimento - Foto: Vitrine Filmes/Divulgação

 

Estreia, nesta quinta-feira (1º), no Cinema do Museu, “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, filho de Glauber, que venceu prêmio no Festival de Cannes deste ano. O documentário é de certa forma didático, mas instrutivo em um sentido amplo e pouco convencional; Eryk fala sobre o movimento, o contexto cultural, os cineastas, atores e produtores envolvidos, os críticos de cinema e o impacto cultural do Cinema Novo, além de comentar a maneira como os conflitos políticos e a ditadura afetaram a produção cinematográfica.

A história do cinema nacional teve momentos importantes, capítulos fundamentais para a evolução do pensamento cinematográfico - o Ciclo do Recife, nos anos 1920, é um deles. Outro instante de grandeza foi o Cinema Novo, que repercutiu ideias revolucionárias de movimentos como a Nouvelle Vague, na França, e o Neorrealismo italiano. Foi quando cineastas como Glauber Rocha (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”), Leon Hirszman (“A Falecida“), Nelson Pereira dos Santos (“Vidas Secas”), entre outros, apresentaram projetos ousados e autorais, baseados no contexto político e cultural brasileiro da época e ainda assim conectados com questões de cinematografias de outros países, revolucionando o modo de pensar sobre o cinema.

Na narrativa do filme de Eryk Rocha, as ideias se aproximam mais de uma espécie de relato impressionista, testemunhos históricos fragmentados em partes simbólicas - o sentido de experiência e revelação vem ao juntar esses pedaços, um processo que cresce depois da sessão.

O filme é composto apenas por imagens de arquivo, cenas clássicas ou pouco conhecidas de longas do movimento, depoimentos de cineastas, atores e produtores nos anos 1960, declarações de jornalistas no momento de impacto do lançamento de filmes hoje essenciais. É possível notar o afeto de Eryk por esses filmes e personagens, a fascinação do diretor pelos modos de produção e resultados conquistados, a paixão pelo que o movimento idealizou em termos de conceito e conquistou através de filmes, ideias e prêmios - um movimento que transcendeu as fronteiras nacionais e adquiriu importância e legitimidade mundial.

Esse afeto em algumas ocasiões se aproxima de uma certa obstinação, um amor sem limites que parece não considerar que, como qualquer movimento, o Cinema Novo seguiu feito de experiências e contradições. O diretor monta em sequência uma grande quantidade de cenas, um processo impressionante de costura que acaba sugerindo novos sentidos e possibilidades de entendimento para esses clássicos. É um filme que se destaca pelo que oferece de único sobre um movimento tão importante, conseguindo uma interessante aproximação da vibração e engajamento dos cineastas que mudaram a história do cinema nacional.

 

Veja também

Ex-paquita Andrea Veiga cai em golpe pelo WhatsApp e perde R$ 1.800
Golpe

Ex-paquita Andrea Veiga cai em golpe pelo WhatsApp e perde R$ 1.800

Lulu Santos brinca que não pegou Covid 'nem o Arthur Aguiar' após resultado de Bolsonaro
famosos

Lulu Santos brinca que não pegou Covid 'nem o Arthur Aguiar' após resultado de Bolsonaro