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O ano de Gilberto Freyre Neto frente à Secretaria de Cultura

Secretário Estadual de Cultura fala sobre as dificuldades e prioridades de sua gestão

Gilberto Freyre Neto fala sobre seu primeiro ano de gestão na Secretaria Estadual de CulturaGilberto Freyre Neto fala sobre seu primeiro ano de gestão na Secretaria Estadual de Cultura - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Prestes a completar um ano frente à Secretaria Estadual de Cultura, após ter assumido o cargo com a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB), Gilberto Freyre Neto conversou com a Folha de Pernambuco acerca dos acertos e dificuldades de um ano atípico, que coincidiu com a ascensão de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência da República e com uma série de cortes e mudanças no setor.

Fim do Minc
Foi um ano complexo sob diversos aspectos. Tivemos a extinção do Ministério da Cultura, o que significa a diminuição ou quase que a ausência de uma estratégia nacional para o setor. Os órgãos da estrutura do antigo Ministério da Cultura, que estavam bem sedimentados como gestores de ações do plano federal foram afetados. A diminuição da importância da responsabilidade desses órgãos, diante das mudanças que têm acontecido a conta gotas e com uma carga ideológica forte, sem levar muitas vezes em consideração os critérios técnicos de indicação de pessoas que têm condições de gerenciar esses órgãos, projeta para os estados uma responsabilidade maior por conta da ausência de uma política nacional.

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Reflexo nos estados
Isso [as mudanças], forçosamente, vai se transformar em custos, e os estados não estão com condições econômicas favoráveis para que haja esse aumento de responsabilidade. Então, não há invencionices. Ao longo deste ano, procuramos conhecer bem a máquina e verificar os problemas estruturais que ficaram mais aflorados com a ausência do plano federal. Estamos precisando mudar a nossa forma de agir e de pensar, retomando um modelo em desuso desde os anos 1980, com um olhar mais diversificado aos patrimônios material e imaterial, uma estratégia diferente do que vinha sendo feito nos últimos anos.
Prioridades
Precisamos fazer escolhas. A gente não gastou menos, mas precisaríamos gastar mais. Estamos tentando priorizar a cultura imaterial. Ela sempre foi nosso foco de atuação, porque existem pessoas por trás. A manutenção dos nossos ciclos tem a ver com famílias e impacta diretamente na sobrevivência das tradições. Então, ela tem que ser prioridade.
Mecenato
A gente também tem um olhar de fomento para a produção cultural independente, que é rica em Pernambuco. E isso quer dizer manter o Funcultura na melhor das condições e abrir o mecenato, algo que não existia em Pernambuco há quase 30 anos. Já estamos em estudos bem avançados nesse sentido. A Secretaria de Cultura, juntamente com a Secretaria da Fazenda, estão nessa direção.

Funcultura
O Funcultura é uma ferramenta que tem um orçamento composto por dinheiro público, sem renúncia fiscal. Hoje, o fundo está em 32 milhões de reais e recebe algo em torno de 2 mil projetos, somando todos os nossos editais. Neste ano, os conflitos envolvendo a Ancine atrapalharam um pouco o edital voltado para o audiovisual, porque a gente tinha uma transferência de recursos numa escala muito alta. Não pudemos fazer o edital conjunto. Estamos lançando o edital isoladamente, com valor de R$ 9,25 milhões. A escala será num volume menor, pois antes havia mais R$ 15 milhões da Ancine. Mas acumulamos dois editais, e como resultado em 2020 vamos injetar R$ 18,5 milhões no Funcultura do audiovisual. Somando tudo, teremos para o ano que vem R$ 41 milhões de reais no Funcultura.

Planos para 2020
A gente está tentando aumentar a captação, iniciar um processo de ampliação da cooperação, inclusive internacional. Pernambuco é um hub diplomático, abriga 44 consulados. A gente fez algumas rodadas de conversa com o corpo consular, alguns caminhos já foram traçados. [...] Em 2020, também vamos focar nos museus e centros culturais, tanto públicos como privados, buscando requalificação profissional e física, melhoria das dinâmicas de fomento e modernização das exposições. Esta é uma dinâmica que em Pernambuco beira a invisibilidade. 

Retrospectiva da Secretaria de Cultura de Pernambuco

Retrospectiva da Secretaria de Cultura de Pernambuco - Crédito: Arte Folha PE/Hugo Carvalho

 

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