O espetacular “Doutor Estranho”

Escolha acertada para o protagonista e visual condizente com a atmosfera da HQ fazem do filme uma boa experiência

Deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE)Deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE) - Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

 

Os fãs de Robert Downey Jr. no papel do Ho­mem de Ferro po­dem chiar, mas está claro que o inglês Benedict Cumberbatch é o melhor ator escalado até agora como um super-herói da Marvel. “Doutor Estranho” é um filme espetacular, e boa parte do crédito vai para ele.
Não é exatamente um personagem famoso. Embora apareça nos gibis desde 1963, nunca teve a popularidade nem a repercussão de um Hulk ou de um Homem-Aranha. Assim, só os fãs mais ardorosos de HQ já teriam uma concepção prévia de como deveria ser o personagem no cinema.
Para a maioria do público, o filme é praticamente uma apresentação do herói. Cumberbatch não ficou refém de um tipo esquemático e teve liberdade para criar sua versão do Doutor Estranho.
Na pele do ator, o neurocirurgião de prestígio que cai em desgraça ao perder as habilidades para operar e busca ajuda mística no Himalaia exibe doses equilibradas de força de caráter, charme, humor e uma certa perplexidade diante do mundo místico no qual mergulha.
Muitas vezes, Cumberbatch brilha até em filmes que não o ajudam, como “Star Trek: Além da Escuridão”, mas aqui a Marvel caprichou para não deixar seu mágico favorito ficar devendo aos colegas superpoderosos de produções milionárias.
“Doutor Estranho” é visualmente deslumbrante. E precisava realmente ser assim, porque os desenhos delirantes que definem o personagem desde seus primeiros gibis são considerados uma prévia da arte lisérgica que marcaria a contracultura nos anos 1960. Esse espetáculo de luz e cor poderia não ir a lugar nenhum sem o bom ritmo que o diretor Scott Derrickson imprime à narrativa.
“Doutor Estranho” corre o risco de não ganhar aprovação de fãs que, antes mesmo de ver o filme, execram a escalação de Tilda Swinton. Nos gibis, quem ensina o médico Stephen Strange a se desenvolver na magia é o Ancião (no original, The Ancient One), um homem nascido no Himalaia.
Bem, por mais que Tilda seja associada a personagens andróginos, a distância entre a figura pálida da atriz inglesa e um asiático oriundo da cordilheira do Himalaia é imensa e injustificável. Mas é só um detalhe perdoável em um ótimo filme de aventura e fantasia. “Doutor Estranho” vale uma franquia.

 

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