O fascínio da Mulher-Maravilha chega aos cinemas

Filme peca por não discutir a questão de gênero mesmo tratando de uma personagem forte, que representa o empoderamento feminino.

"Mulher-Maravilha", filme"Mulher-Maravilha", filme - Foto: Warner Bros./Divulgação

Filmes com mulheres fortes não são novidades, mas a maior frequência de protagonistas femininas poderosas nos últimos anos sugere a vontade da indústria de Hollywood de se aproximar de debates sobre feminismo por meio do cinema comercial. É quando a mulher deixa de ser apenas uma personagem que é salva pelo homem poderoso e se torna ela mesma o bastião de defesa, como em "Jogos Vorazes" ou a nova trilogia de "Star Wars". Estreia amanhã o filme de uma das primeiras heroínas das histórias em quadrinhos, "Mulher-Maravilha".

Depois das adaptações desastrosas "Batman vs Superman: a origem da justiça" e "Esquadrão Suicida" (ambos de 2016), criticados por fãs e especialistas, leitores da DC Comics começaram a ver com desconfiança não apenas "Mulher-Maravilha", como também os aguardados "Liga da Justiça" (previsto para novembro deste ano) e "Aquaman" (programado para dezembro de 2018). Então, é, de certa forma, reconfortante pensar que "Mulher-Maravilha" é não apenas superior aos outros filmes da DC, como também um bom filme.



O longa, assinado pela diretora Patty Jenkins ("Monster: Desejo Assassino", de 2009), conta a história de Diana (Gal Gadot), princesa das amazonas. Ela mora numa ilha reclusa que foi oculta da humanidade por Zeus, após luta contra Ares, o deus da guerra. Lá, as mulheres treinam ferozmente em preparação para um possível retorno de Ares. Diana é apenas uma garota curiosa que foge das aulas para graciosamente imitar os golpes que as guerreiras adultas fazem, uma adorável criança tentando dar passos maiores do que seu físico permite.

Quando se torna guerreira adulta, Diana observa um avião furar o bloqueio criado por Zeus e cair no mar. Ela salva o piloto, chamado Steve Trevor (Chris Pine), um espião que está sendo perseguido por alemães. É quando as amazonas descobrem que o mundo lá fora vive a Primeira Guerra Mundial e Diana conhece os efeitos da influência de Ares.

Uma empolgante sequência de ação termina com Diana pegando as icônicas peças da heroína: o escudo, o laço e a espada, em seguida partindo para Londres, com Steve.

O ponto forte parece ser a maneira como Diana evolui durante o filme. Na primeira cena, no tempo atual, ela recebe um presente de Bruce Wayne, uma fotografia feita durante a Primeira Guerra em que ela aparece ao lado de companheiros de guerra.

Ela, então, se lembra desse período, no qual era uma jovem crente de que o mal no coração dos homens era por causa de Ares. Quando se torna adulta, as experiências moldam sua percepção sobre a humanidade: de uma garota cuja bondade e inocência podem ser confundidas com uma ideia quase infantil de honra para uma mulher que carrega feridas e tristezas, transição emocional importante em qualquer história.

Um ponto estranho é que, mesmo se tratando de uma personagem forte, uma deusa que representa o empoderamento feminino, a questão de gênero não é tão discutida. Falta sensibilidade ao roteiro, que não parece ir além de breves momentos frívolos. Talvez um bom filme com oportunidades desperdiçadas quando pensamos no potencial de uma personagem fascinante como Mulher-Maravilha.

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