O inesgotável Vinicius de Moraes

Disco “Sem Mais Adeus” poderia ser mais um tributo ao poetinha, mas o álbum oferece algo a mais

Olivia e Francis Hime - este, um dos parceiros de Vinicius, - revelam duas canções inéditasOlivia e Francis Hime - este, um dos parceiros de Vinicius, - revelam duas canções inéditas - Foto: Joaquim Nabuco/Divulgação

 

O álbum “Sem Mais Adeus - Uma Homenagem a Vinicius” se destaca entre outros tributos a Vinicius de Moraes (1913-1980) - conhecido como poetinha -por três motivos.
Primeiro, por ser um disco de Olivia e Francis Hime, de voz e piano. Pouca gente tem tanta intimidade com a obra do poeta como Francis, que foi um de seus parceiros.
Segundo, porque o álbum tem um formato peculiar, gravado no estúdio como se fosse um show ao vivo. E, de fato, o disco é evolução de uma temporada que o casal mostrou em várias embaixadas brasileiras pelo mundo.

E, terceiro, porque traz duas músicas inéditas. Ambas são parcerias de Francis e Vinicius, e uma delas, “Um Sequestrador”, ganhou letra depois de décadas. A autora dos versos participa da gravação; é a cantora Adriana Calcanhotto. Ela faz o vocal na também inédita “Samba de Maria”, que os dois escreveram para um festival de música e permaneceu sem gravação até agora.

“A ideia do show surgiu quando se comemorava o centenário de Vinicius, em 2013, mas é um disco que poderíamos ter feito em qualquer ano. É uma delícia cantar esse repertório”, conta Olivia Hime.

Além das inéditas, Francis é coautor de mais três entre as 27 faixas do álbum: “Saudade de Amar”, “Sem Mais Adeus” e “Anoiteceu”. Outras eleitas para o repertório contemplam parceiros habituais de Vinicius, como Tom Jobim, Baden Powell, Carlos Lyra e Toquinho. Tom é quem mais aparece, com seis parcerias.

Mas é difícil falar em faixas ao se ouvir esse trabalho. “Sem Mais Adeus” é um show reinterpretado no estúdio, com músicas se juntando a outras, e Olivia pontuando a audição com pequenos textos.

Ela concorda que o disco proponha uma audição mais atenta. “O álbum tem especialmente essa característica, a gente já tinha feito uma série de apresentações quando desembarcou para a gravação. Manter o formato foi algo que veio de forma natural.” Ela destaca que Francis vai mudando as tonalidades e costurando as músicas, “sem transformá-las num pot-pourri”.

A dupla continua fazendo esse show. “As pessoas perguntam como chegamos a esse roteiro de canções, e eu respondo que ainda estamos chegando”, conta Olivia.

Em apresentação no Rio de Janeiro, eles mostraram novidades. No bis, entrou “A Casa”, talvez por causa da presença de muitas crianças na plateia, acredita a cantora.

Para ela, Vinicius borrou a linha que dividia poetas e letristas de música. “Ele interrompeu essa sisudez na música brasileira. Nós já tínhamos grandes letristas, desde Noel Rosa, mas até então os poetas não serviam à música brasileira. Ele rompeu com esta divisão.”

 

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