O invisível que toma forma

Filme "Rocks in My Pockets" será exibido amanhã, às 20h30, no Cinema São Luiz

Júlio Lóssio em CaruaruJúlio Lóssio em Caruaru - Foto: Raquel Elblaus/ Divulgação

O cinema de animação pode explorar um sentido vasto de liberdade: não há um compromisso tradicional com a realidade, a imaginação ganha um entendimento mais amplo enquanto potencial criativo. O filme "Rocks in My Pockets", de Signe Baumane, será exibido amanhã (24), às 20h30, no Cinema São Luiz, dentro da programação do Animage - Festival Internacional de Animação de Pernambuco. O longa parte de um sentimento real, eventos da história familiar da cineasta, para em seguida crescer através dos mecanismos do cinema de animação: metáforas poéticas, alegorias delicadas. "Sou fascinada pelas quase infinitas possibilidades da animação - tudo é possível", ressalta Signe, em entrevista por e-mail. Nesta conversa, a realizadora fala sobre seu processo de criação e aspectos de seu estilo cinematográfico.

O que fez você querer desenvolver uma narrativa que trata da depressão? O que lhe direcionou a esse tema?
Eu sempre tive interesse em narrativas pessoais, os pensamentos e sentimentos invisíveis do lado de fora. Animação é o meio perfeito para mostrar esse processo interior, porque pode tornar visíveis conceitos abstratos, como dor ou depressão. Antes de "Rock In My Pockets" eu fiz alguns curtas sobre sexo, como "Teat Beat of Sex", sobre sexo a partir do ponto de vista da mulher. O que leva a outro tema importante para mim - o ponto de vista da mulher. Vivemos em um mundo dominado por homens, sequer percebemos o quanto enviesado esse mundo é em direção ao ponto de vista masculino até prestar atenção. Tudo relativo ao feminino, a não ser que esteja adequado ao gosto masculino, é descartado. Não vamos aproximar os gêneros e melhorar o mundo a não ser que levemos as histórias das mulheres a sério e dermos espaço e atenção a elas. Eu fiz "Rocks In My Pockets" porque eu realmente vivi essa história e tinha a obrigação de contá-la. Mas não vejo o filme como uma terapia pessoal - eu fiz para entreter, provocar e desafiar os espectadores. Eu fiz para me conectar a outras pessoas.

Gostaria de saber mais sobre os personagens; o que fez você querer contar suas histórias? Em que sentido eles importam para você?
"Rocks in my Pockets" é uma história de seis personagens diferentes. Anna foi minha avó, uma mulher curiosa e espirituosa. Ela passou por sofrimentos extraordinários e guiou seus oito filhos para a sobrevivência e a prosperidade. Sinto parentesco com ela, apesar de eu nunca ter vivido a guerra e a quase fome. Também sinto parentesco com meu avô, Indulis, com quem compartilho um sentimento aventureiro. E meus três primos - Miranda, Linda e Irbe -, suas histórias são muito parecidas com a minha, mas, diferente de mim, eles não sobreviveram a seus conflitos com a loucura. Então estou contando minha história do ponto de vista de uma sobrevivente. Acho que uma coisa que me ajudou a sobreviver foi um senso de humor, então eu conto minha história com muita ironia e humor.

Gostaria de saber um pouco mais sobre suas ideias sobre a animação enquanto um gênero. O que lhe fascina na animação?

Talvez eu esteja errada, mas não chamaria a animação de gênero. Animação é um meio no qual uma história de um determinado gênero (drama, comédia, musical, infantil etc.) é contada. Animação é uma escolha artística do roteirista/cineasta, assim como a escolha entre fazer um filme em preto e branco ou colorido, etc. Tem suas próprias limitações ou oportunidades e seu próprio vocabulário. Sou fascinada pelas quase infinitas possibilidades da animação - tudo é possível. Um personagem pode andar e conversar e voar de uma transição para outra sem termos que explicar como isso é possível. Metáforas poéticas é outra grande ferramenta que funciona muito bem em animação. Meus filmes de animação favoritos são "Valsa com Bashir", "Persepolis", "Fake" e é claro "A Viagem de Chihiro".

  Serviço:
"Rocks in My Pockets", de Signe Baumane
Quando: amanhã, às 20h30
Onde: Cinema São Luiz
Ingressos: R$ 5

 

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