O jogo virou para as sertanejas

Depois da fase do “Bar das Coleguinhas”, cantoras baianas da duplas Simone & Simaria assumem postura de divas em novo DVD, lançado pela Universal

Deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE)Deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE) - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

 

Pouco mais de um ano após o lançamento do “Bar das Coleguinhas”, que atualmente já soma quase 40 milhões de visualizações no YouTube, a dupla sertaneja Simone & Simaria resolveu apostar em um novo formato de show. Fugindo da pegada intimista do primeiro trabalho ao vivo, as irmãs baianas da cidade de Uibaí, agora entram para o filão dos grandes espetáculos com o CD e DVD “Simone e Simaria Live”, gravado em Goiânia (GO), que foi lançado neste mês pela Universal Music.
“Quando você faz um projeto que dá certo, você se pergunta se o próximo deve ser na mesma linha ou se pode ousar um pouco mais. Aqui no Brasil, as pessoas ligam muito para repertório e é o que importa mais, mas se você pode agregar uma estrutura linda dessas às músicas, está tudo certo. É tudo tão lindo, que dá vontade de meter o chifre no chão e sair ariando a terra”, brincou Simaria, em coletiva sobre o novo trabalho em São Paulo, sem negar a afinidade com as músicas de “sofrência”.
A mudança nos shows e na performance da dupla, que busca se aproximar das grandes divas, se deve em parte à adesão da gravadora que assinou com as duas neste ano. Até então, as “coleguinhas”, como ficaram conhecidas, seguiam carreira independente.

“Trabalhar com o Frank Aguiar foi uma escola maravilhosa, aprendemos muito, mas depois que saímos de lá, a gente sofreu muito. Chegamos a viver com R$ 200 por mês em São Paulo”, lembra ela que, ao lado da irmã, foi backing vocal do forrozeiro durante sete anos.
O jogo começou a virar para as cantoras, quando elas foram para Fortaleza para liderar o grupo Forró do Muído, onde começaram a colecionar fãs. Ao se sentirem limitadas pela proposta mais regional da banda, as duas decidiram seguir sozinhas como dupla sertaneja buscando alcançar plateias mais amplas, foi quando surgiu o “Bar das Coleguinhas”, que foi relançado pela Universal recentemente . “A gente cresceu ouvindo sertanejo e era um sonho do nosso pai, mas 20% do nosso show ainda é forró, nesse DVD mesmo tem um chamado ‘Quem Me Viu Mentiu’. A gente canta o que quer: forró, funk, axé. E o povo gosta”, comentou Simaria. “Não temos fãs, temos seguidores, o que a gente fizer, eles vão atrás”, completou Simone.
Ainda no Forró do Muído, a dupla já era conhecida por misturar música latina ao forró-pé-serra. A marca registrada se repete é também parte do sucesso como sertanejas, dentre outros diferenciais. “Eu canto a primeira voz e Simaria também. Temos vozes diferentes, a minha é mais grossa, a dela é mais doce, combinam com músicas diferentes, além de que usamos a terceira lá em cima, não é pra baixo. É nossa assinatura”, explica Simone, que também cativa o público ao lado da irmã por conta da criação de bordões como “hoje eu não tô boa para beber, eu tô excelente” e “maravilinda”.
Apesar de dizer que não bebe atualmente, Simaria justifica o discurso etílico das canções como uma forma de empoderamento da mulher. “Acho que o mercado estava carente de ver as mulheres cantando o que só os homens cantavam. Viemos para dizer que a mulher pode, sim, ter sucesso e tomar uma cachaça porque está lascada de amor.

Se tiver uma amiga para levar, se jogue minha irmã! Se você achar que o coleguinha está merecendo uma gaia boa, bote mesmo! Todo mundo tem direitos iguais, basta fazer as coisas com consciência e saber que depois vai sofrer as consequências. Quando a gente fala que hoje vai beber até cair, não estamos mandando ninguém beber não. Bebe se quiser, mas para quem gosta e tá sofrendo é bom demais”, explica ela.
Com bordões como “o coração apronta e o fígado é quem paga a conta”, que abre a música “Agora e Sempre”, o novo DVD traz um repertório inédito para quem gosta de soltar as amarguras com o copo na mão. As exceções são as gravações de “Quando o Mel é Bom” e “Meu Violão e Nosso Cachorro”, que foram os maiores sucesso do trabalho anterior. Outro destaque são as participações de Bruno e Marrone, em “Te Amo, Chega Dá Raiva”, e Jorge e Mateus, em “Amor Mal Resolvido”. “Convidamos essas duas duplas porque somos muito fãs, é coisa de admiração mesmo”, justificou Simaria, que comemora os elogios que as baianas tem colecionado pelo segmento.
* A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA GRAVADORA UNIVERSAL

 

Veja também

STJ vai julgar exclusão de posts e links que vinculem Ney Matogrosso a Kim Kataguiri
Polêmica

STJ vai julgar exclusão de posts e links que vinculem Ney Matogrosso a Kim Kataguiri

SPFW institui cota racial obrigatória para desfiles em decisão histórica
Moda

SPFW institui cota racial obrigatória para desfiles em decisão histórica