O Maestro resiste ao tempo: Tom Jobim completaria 90 anos nesta quarta

Das suas canções surgiram a Bossa Nova e as influências sentidas até hoje na música

Antônio Carlos Jobim, em sua trajetória, sempre reafirmou seu orgulho de ser brasileiroAntônio Carlos Jobim, em sua trajetória, sempre reafirmou seu orgulho de ser brasileiro - Foto: Divulgação

A segunda canção mais interpretada da história da música, “Garota de Ipanema” é a metonímia da carreira de Antônio Brasileiro Carlos de Almeida Jobim, o Tom, que faria 90 anos nesta quarta-feira (25), se vivo estivesse. Composta pelo músico junto ao poeta Vinicius de Moraes em 1962, a canção traz a leveza estética, o culto à beleza, a paisagem do Rio de Janeiro, sua cidade natal, e a pegada jazzística que tornaram a Bossa Nova conhecida internacionalmente. Inicialmente gravada em 1963 no LP “Getz/Gilberto”, a música conquistou o mundo na voz de Astrud Gilberto, acompanhada por João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim.

Esse último relançaria a própria composição no ano seguinte no seu LP de estreia “Antônio Carlos Jobim”, no qual se cristaliza como autor. Embora desde sua primeira composição registrada em 1953, no LP “Incerteza”, de Mauricy Moura, tenha construído um cancioneiro que representa sua declaração de amor ao Brasil, costumava dizer que o País “não era para amadores”.

Não é à toa que durante alguns anos, Tom passou a ser mais bem aceito musicalmente fora do Brasil que, na década de 1970 estava cansado do canto tímido da Bossa Nova, ofuscado na época por uma MPB mais eletrizante. No entanto, o trabalho de Tom nunca foi um tipo de moda fadada ao desgaste do tempo. Mesmo que o movimento tenha perdido a força nas décadas seguintes ao seu surgimento em 1959, com a chegada do disco “Chega de Saudade”, de João Gilberto, cuja faixa-título é mais uma parceria de Tom Jobim e Vini­cius de Moraes, trabalhar com o compositor sempre foi uma espécie de selo qualidade.

Até mesmo a extravagante Elis Regina, que quebrou o padrão da Bossa Nova com seu canto expressivo, cedeu a Tom Jobim no histórico disco “Elis & Tom”, de 1974. O trabalho tinha a proposta de beneficiar os dois artistas, que buscavam reconquistar o público brasileiro. Enquanto Elis tentava recuperar o prestígio derrubado pela sua participação coagida nas Olimpíadas Militares, Tom, por sua vez, queria ser um nome mais acessível no próprio País, já que seu trabalho esteve ligado às plateias mais burguesas.

Antes, em 1967, o músico se consagraria internacionalmente com o álbum “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim” gravado com Frank Sinatra. A parceria que foi posteriormente repetida em “Sinatra & Company”, de 1971. Porém, de Elis em diante, o compositor brasileiro focou em se reconectar ao país de origem, investindo em outros discos em dueto, como “Miúcha & Antonio Carlos Jobim”, “Edu & Tom”, com Edu Lobo. Morreu em 8 de dezembro de 1994, três dias antes do lançamento do seu último disco “Antônio Brasileiro”, reafirmando aquilo que mais se orgulhava de ser: do Brasil.

Homenagens
“Ele nunca se estabeleceu nos Estados Unidos de fato. Ele sofreu com pensamentos muito provincianos, como aconteceu com Carmem Miranda, mas ele se importava muito com o País. O Brasil rotula muitas coisas, por isso, até em relação à Bossa Nova, ele queria fugir desse padrão. Ele só queria ser um autor popular com muito estudo e muita sabedoria musical, que é o que ele era”, observa o flautista e cantor Danilo Caymmi, que fez parte da banda de Jobim de 1983 até o fim da vida do músico.

Com a carreira iniciada com o disco “Caymmi Visita Tom”, de 1964 - que marca o encontro do pai, Dorival Caymmi, e Tom Jobim - Danilo agora homenageia o amigo da família com o disco “Danilo Caymmi canta Tom Jobim”, lançado hoje pela Universal Music. “Quando fui contratado para a banda do Tom, eu ia ser apenas o flautista, mas ele me descobriu como cantor e me colocou como solista de algumas músicas nos shows. Era muito generoso”, diz.

Nesta quarta-feira também chega às lojas o disco “Jobim 90”, da cantora carioca Fernanda Cunha, que recorta as parcerias entre Tom Jobim e Chico Buarque no disco. Em dezembro, a cantora portuguesa Carminho lançou “Carminho canta Tom Jobim”. Embora não tenha sido uma homenagem direta, o disco autoral “Levaguiã Terê” do pernambucano Vitor Araújo, lançado em outubro de 2016, também bebe na fonte da obra de Jobim. “Esse foi meu primeiro disco para grande orquestra e usei muito de Tom Jobim e de Villa-Lobos. Em certo sentido, está muito parecido com o que o Tom fazia em ‘Matita Perê’ e ‘Urubu’, que eram orquestrais, mas processualmente populares”, resumiu ele, na ocasião do lançamento.

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