O 'mercado poético' de Wilson Araújo
Poeta maranhense de alma pernambucana tem seus poemas publicados semanalmente no Portal Folha de Pernambuco
USURA'S RUSH
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RUSH
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JURO
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P.S. definidor do usurário:
aquele senhor portador
das ações cotadas
nas bolsas de valores,
cujos donos (eu disse donos!)
são os mesmos distribuidores
das cotas de danos no cotidiano.
Senhor do mercado
de (capitais) recados
ao “autônomo” Banco Central.
MARCADOS PELO MERCADO
indícios
de nervosismo dos índices.
dow Jones,
nasdak,
ícones
dessa onisciente,
onipotente
e onipresente entidade
de identidade
chamada mercado.
eis o recado
de viés,
vetor
e parâmatro:
para tudo
o mercado é o paradigma,
o grande termômetro.
para o mercado,
um país não é um país,
é um risco-país;
um país dorme país
do futuro
e acorda país
da fratura.
quem paga a fatura?
o povo é o estigma
da crueldade
desse paradigma
exuberante,
lunático
e caprichoso
que se alimenta
de carne humana.
quem pode
contra o mercado?
o mercado
é a enteléquia suprema?
contra o mercado,
só deus ex-machina?
ANÁLISE DE MERCADO
índice me disse:
o mercado está ansioso!
o mercado está tenso!
o mercado está nervoso!
o mercado está deprimido!
(freud explica o mercado?)
o mercado está sendo medicado?
veja variação da taxa de juros.
Wilson Araújo de Sousa (WAS)
Nota: os três textos acima foram publicados
originariamente em meu livro Signos
Involuntários, de 2003.

