Seg, 09 de Fevereiro

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Literatura

O mundo mesmo por Nuno Félix

Cepe lança livro de arte do autor português, que reúne 185 fotografias feitas durante viagens ao longo de décadas

O psiquiatra, poeta, ensaísta e fotógrafo português Nuno Félix da CostaO psiquiatra, poeta, ensaísta e fotógrafo português Nuno Félix da Costa - Foto: Mercedes Vital

Reunindo 185 imagens, fotografadas ao longo de muitas de suas viagens, o psiquiatra, poeta, ensaísta e fotógrafo português Nuno Félix da Costa lança pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) “O mundo mesmo”.  É o segundo livro do autor pela editora pública pernambucana. O primeiro foi Pequena voz: Anotações sobre poesia (2018).

O lançamento será realizado no podcast Cruzamentos literários – uma parceria entre o Instituto Camões, em Brasília, e a Associação Oceanos – e estará disponível na quinta-feira (22/07), nas principais plataformas de áudio streaming. Participam da conversa o autor do título e o jornalista brasileiro Manuel da Costa Pinto.

“O mundo mesmo é um discurso fotográfico, como um livro de poesia. Não é uma coletânea. Tal como o Portulíndia (2009, Córtex Frontal), a produção de um discurso fotográfico dá sentido, como que fecha um procedimento de relação com o real que tem algo de mágico e de anacrônico (no sentido em que elimina o tempo das coisas)”, resume.

As fotos registram o ser humano em sua multiplicidade, além de imagens de lugares sobre os quais o autor/fotógrafo lança seu olhar. De acordo com o editor da Cepe, Diogo Guedes, Nuno parte para o esforço de observar os muitos mundos que habitam a contemporaneidade e encontrar neles afinidades capazes de conectar geografias, indivíduos e culturas distintas entre si.

Capa de "O Mundo Mesmo"

Nuno Félix é um viajante por natureza, mas não viaja por lazer, procura conhecer os lugares por onde anda e se deixa levar pela diversidade, que o enriquece. No tempo da fotografia analógica usava Leicas, até que num assalto à sua casa perdeu as máquinas. Quando o digital surgiu, de uma forma incipiente, Nuno pouco fotografou, até passar a usar a Cannon e chegar aos modelos da Fujifilm, que lhe trouxeram experiência semelhante à proporcionada pelas antigas Leicas.

 “A fotografia descreve impressões fragmentárias – o discurso constitui-se por afinidades sub-reptícias entre as imagens e não pretende senão um retrato de pessoas dos mais diversos lugares, unidas por estilos de vida e de relação que têm mais em comum do que de diverso”, diz.

Para Nuno, a organização de O Mundo mesmo foi profundamente envolvente. Uma atividade que implica em conhecer a intimidade de cada imagem e a sua capacidade de significar. “Passei a vida a fotografar (entre outras coisas) – são centenas de milhares de fotos acumuladas, dezenas de livros possíveis, se tiver oportunidade de os fazer, como este, a convite da Cepe”, destaca.

 

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