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'O olho e a faca' estreia com Rodrigo Lombardi como protagonista

Com direção de Paulo Sacramento, o filme retrata o cotidiano de um petroleiro prestes a receber uma promoção

Rodrigo Lombardi interpreta o petroleiro Roberto Rodrigo Lombardi interpreta o petroleiro Roberto  - Foto: Divulgação

O diretor Paulo Sacramento compara o destino do protagonista de seu terceiro longa-metragem à história de Jó. Assim como o personagem bíblico, o petroleiro Roberto, interpretado por Rodrigo Lombardi, vê sua vida perfeita desmoronar em perdas sucessivas. A reflexão existencial resultante desse processo é o que guia o enredo de "O olho e a faca", cuja estreia nos cinemas brasileiros está prevista para esta quinta-feira.

A vida de Roberto se divide entre o mar e a terra. Ele trabalha há anos em uma plataforma de petróleo, onde passa vários dias longe da esposa e dos dois filhos. Uma inesperada promoção ameaça os fortes laços de amizade com os companheiros de trabalho. Em paralelo aos problemas profissionais, ele também precisa lidar com a rebeldia do filho mais velho, um caso extraconjugal e a relação complicada com o pai, que, mais tarde, acaba sendo hospitalizado.

Os acontecimentos adversos forçam o protagonista a reaprender a olhar. Para Sacramento, essa lição é a essência da trama. "O filme fala muito sobre como, às vezes, a gente não percebe o que está acontecendo ao nosso redor. Nesse sentido, há uma relação simbólica do filme com a atualidade. Todo mundo parece meio atordoado com a situação política do Brasil, como se não tivesse visto que as coisas já caminhavam para esse desfecho, passo a passo", comenta.

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O cineasta vem planejando o filme desde 2006. O primeiro impulso para o roteiro, que ele assina ao lado de Eduardo Benaim, foi o fascínio pela grandiosidade de uma plataforma de petróleo em alto mar. "Eu tinha a curiosidade de saber como era a vida de um petroleiro. Comecei a pesquisar um pouco, a conversar com alguns profissionais e a entender como funciona esse trabalho, que é tão racional. A partir do convívio com essas pessoas é que eu passei a pensar em qual seria a história", explica.

Viabilizar o cenário escolhido não foi tarefa das mais fáceis. Três anos foram necessários para que a equipe conseguisse autorização para filmar em uma plataforma. "Quando tivemos a ideia, ela parecia muito viável, já que a Petrobras era até então a maior patrocinadora do cinema brasileiro. Com a crise que ocorreu na empresa, sequer tivemos a libração para gravar em alguma plataforma. Foi uma loucura pra gente. Chegamos a cogitar a possibilidade de fazer em outro país, mas no final conseguimos encontrar um local no Rio de Janeiro", relembra.



Contornado o problema inicial, o desafio seguinte foi rodar as cenas na locação escolhida. "Eram muitos detalhes envolvidos. Para ficarmos na plataforma durante 14 dias, toda a equipe precisou passar por um curso para aprender noções de segurança. Foi muito mais difícil de filmar, tecnicamente falando, do que dentro do Carandiru", afirma Paulo, que filmou o documentário "O prisioneiro da grade de ferro", de 2003, no presídio.

"Estávamos cercados por coisas que a gente não entendia, mas que sabíamos do perigo. Eu já tinha visitado três plataformas antes, mas para o restante da equipe era a primeira vez. Não houve nenhuma visita anterior e tínhamos pouco tempo para gravar tudo", completa.

Esse é o primeiro papel de destaque de Rodrigo Lombardi no cinema. Antes do filme, ator e diretor não se conheciam. "Não sabia quem era o Rodrigo, porque não costumo ver muita televisão. Quando vi alguns trechos de trabalhos dele, trouxe um frescor de um rosto novo para mim, apesar dele já ser conhecido pelo Brasil", conta. Também aparecem na telona nomes como Maria Luisa Mendonça, Roberto Birindelli, Caco Ciocler, Débora Nascimento e Luís Melo, quem passaram por uma preparação comandada pela renomada preparadora de elenco Fátima Toledo.

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