O sonho acordado de Manoel Quitério

Artista abre nesta quinta, na Torre Malakoff, sua terceira individual, em que receberá o Projeto Atitude e Coletivo Vacilante

Guilherme Boulos, Dani Portela e Marcelo Freixo estiveram juntos no encontro nacional da legenda para fazer um balanço do desepenho do PSol nas eleições deste anoGuilherme Boulos, Dani Portela e Marcelo Freixo estiveram juntos no encontro nacional da legenda para fazer um balanço do desepenho do PSol nas eleições deste ano - Foto: Reprodução Facebook

 

Na arte contemporânea tem sido mais importante o processo de produção do que o resultado estético. Manoel Quitério vê nessa inversão de valores uma evolução de seu trabalho como artista. Após duas exposições individuais, ele passa a encarar a arte de uma maneira mais filosófica, sem deixar de inserir temas que costuma retratar, como política, religião e crítica social. “O que mais importa é o porquê pintar, que acabamos esquecendo ao longo do tempo”, declara o artista, que inaugura sua terceira individual, “Inércia do Delírio”, nesta quinta-feira (1º), das 19h a 1h da madrugada, na Torre Malakoff, Bairro do Recife.

O título vem do mix entre sonho e realidade, que muitas vezes se confundem. “Estamos acostumados à realidade do delírio. Acordamos pensando no que fazer naquele dia. Nunca pensamos que estamos vivos e já fizemos tanta coisa”, filosofa.

Todos os espaços do prédio - símbolo de resistência histórico e cultural da Capital pernambucana, pois já foi ameaçado de demolição duas vezes - serão ocupados, e não somente por Manoel, mas também por outros artistas, que farão intervenções, performances, shows e oficinas até o fim da mostra.

Daí a escolha do local pelo artista, muito mais voltado a interferir em espaços públicos e interagir com as pessoas e a urbanidade. Entre os ‘ocupantes’, Daniel Santiago, Rayo, Ayodê, Natália Queiroz, ex-moradores de rua e ex-dependentes químicos do Projeto Atitude - com quem o artista vem trabalhando em parceria -, e o Coletivo Vacilante. “Adoramos o caráter efêmero do trabalho que fizemos, que depois desaparecerá com a pintura das paredes”, declara o coletivo.

A última parte da trilogia, que será conhecida hoje, conta com 30 obras, algumas em aquarela e nanquim sobre papel, e outras em tinta acrílica e tinta específica para restauro sobre madeira de demolição de porta de igreja. São figuras cercadas de sincretismo, com símbolos cristãos, do tarô e da cabala, misturados a orixás e mitos gregos. “Religião vem do latim ‘religare’, que significa religação do homem as suas raízes.

Muita gente tem preconceito com religião pela má interpretação que fazem, pois muitas igrejas estão pregando a veneração ao material, que é o oposto a Deus”, lamenta. Em um oratório comprado na Turquia, Manoel retrata uma suposta santa com boca e olhos fora do lugar, mas que parece vaidosa e orgulhosa de sua própria imagem, apesar de distorcida. “Uma representação da adoração que o ser humano na verdade tem por si mesmo, e não pelos santos”.

A crítica social vem nos santos que representam bairros da Cidade. São José traz em volta anjos sem asas que fumam crack. Nossa Senhora da Boa Viagem revela nos olhos edifícios que barram o vento. Já Nossa Senhora da Soledade traz as sete dores contemporâneas de Maria, incluindo assaltos e mendigos. “Para o islamismo, tudo o que se pinta recebe uma vida de verdade. Há um pedaço de mim em tudo isso”, resume.

 

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