Obras do artista plástico Paulo Bruscky estão em exposição na Caixa Cultural

Trajetória do artista é representada por cerca de 300 obras - de várias épocas e inclusive recém-terminadas

Cientista político Alex RibeiroCientista político Alex Ribeiro - Foto: Pedro Farias

 

Existe uma obra de arte contida neste jornal. No caderno de Classificados você encontrará um “anúncio” criado e publicado pelo artista experimental recifense Paulo Bruscky. Para tornar ainda mais legítima a “Obra de Arte Classificada”, basta comparecer à exposição “PaLarva - Poesia Visual e Sonora de Paulo Bruscky”, nesta quarta-feira (30), às 19h, na Caixa Cultural, no Bairro do Recife, levando seu exemplar em mãos, para obter a assinatura do artista, que tem 50 anos dedicados à arte.

A trajetória será representada por cerca de 300 obras - de várias épocas e inclusive recém-terminadas, e escolhidas em meio a 20 mil itens-, sempre caracterizadas pela associação entre linguagem e artes visuais. Arte-correio, fax-arte, poesia sonora, artdoor, xerofilmes e livros de artista estão entre os itens. “Toda escrita é visual”, declara.

Apesar da produção prolífica e de ser um pioneiro na arte conceitual no Brasil, muita gente nunca ouviu falar do artista de 67 anos, mais reconhecido no Exterior. Suas obras estão expostas em grandes museus espalhados pelo mundo, como o Centre Pompidou, na França, o Tate Modern, na Inglaterra, e o MoMA, de Nova York. No Brasil, o MAM e o MAC (USP), ambos de São Paulo, contam com peças de Bruscky no acervo.

Pernambuco não tem nenhuma. “Não sei por que o Brasil tem Ministério da Cultura se não existe política cultural. Nunca existiu. Ficam esperando o artista ficar valorizado no mercado para depois dizerem que sua obra é muito cara e que o poder público não pode comprar”, critica o artista, que nunca dependeu da arte para viver. A despeito do seu reconhecimento internacional, vendeu sua primeira obra há sete anos. O sustento veio de empregos burocráticos que lhe possibilitaram liberdade de criação sem depender do mercado ou das instituições legitimadas.

A arte conceitual de Bruscky foi construída a partir da observação, da coleta de “coisas inúteis”, e da escrita - ele é formado em Jornalismo. “A crítica de arte local é recente por aqui. Portanto, os artistas foram obrigados a analisar o próprio trabalho e a escrever sobre ele”, conta. Tudo, absolutamente tudo, à sua volta pode lhe interessar e se transformar em obra de arte. Mas principalmente a ideia. “É mais importante saber ver do que fazer. Os olhos são responsáveis pelo que veem. Quando as pessoas aprenderem a ver (a ideia), o artista não será mais necessário”, acredita, sem lamentos. Pelo contrário: “Ainda bem! Porque artista vive uma coisa muito intensa”, desabafa.

A mostra inaugurada nesta quarta-feira contará com a performance “Poesia Viva”, exibida pela primeira vez em 1977. Dessa vez, crianças passarão incólumes pelo espaço da mostra vestindo mortalhas com as letras que compõem o nome da obra. Haverá ainda a performance “Poema Linguístico”, dos anos 1980, em que Bruscky lambuza a língua com tinta de carimbo para desenhar. Entre os trabalhos novos, o artista destacou uma homenagem que fez ao escritor norte-americano Edgard Allan Poe. “O conto que mais gosto dele se chama ‘O Escaravelho de Ouro’. Em minhas idas ao vuco-vuco (no Centro da cidade), encontrei um peso com um caramujo dentro e fiz uma obra a partir disso”, revela.

Outro trabalho que Bruscky mostrou enquanto percorríamos a montagem da mostra é o que ele chama de disco antropofágico, um vinil compacto que, quando posto para tocar, é ‘comido’ pela agulha. Já no “Poema de Repetição”, o artista repete a expressão várias vezes. “Quando você faz isso, o significado e o significante vão perdendo o sentido e dissociando imagem de objeto”, explica.
Projetos

Ainda para este ano, o artista adianta o lançamento de um box de poesias sonoras, coletadas com a ajuda de seu filho, Yuri. Para o ano que vem, já estão programadas duas exposições no Exterior. “Em uma delas fui convidado não por ser brasileiro. Estarei entre oito nomes internacionais. Fico contente porque quando o Brasil seleciona artistas do País para mostras fora daqui, sempre escolhe nomes do Rio de Janeiro ou de São Paulo”, alfineta.

 

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