'Oito Mulheres e um Segredo' é boa aventura em tempos de #MeToo

Encabeçado por Sandra Bullock, 'Oito Mulheres e um Segredo' muda a dinâmica apresentada em 'Onze Homens e um Segredo', filme original da franquia

Elenco de 'Oito Mulheres e um Segredo'Elenco de 'Oito Mulheres e um Segredo' - Foto: Divulgação

Nos últimos anos Hollywood foi inundado - ainda bem - por “remakes” e “reboots”, principalmente reapresentando filmes clássicos com elencos masculinos por um novo composto inteiramente por mulheres. “Caça-Fantasmas” foi um bom exemplo desse fenômeno. Em tempos de mudança na indústria do cinema, com o movimento #MeToo – visando acabar com o assédio em Hollywood - “Oito Mulheres e um Segredo” soma a essa nova leva de longas que buscam ampliar a representatividade no setor.

Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã de Danny Ocean – interpretado por George Clooney na versão anterior do filme, “Onze Homens e um Segredo” – sai da prisão após cinco anos alegando que deseja “uma vida simples” a partir dali. Na verdade, a criminosa aproveitou os anos trancada para planejar um roubo de um colar Cartier avaliado em mais de 150 milhões de dólares na noite mais balada da moda internacional, o Met Gala – anualmente ofertado pelo Museu Metropolitano de Arte de Nova York e que reúne diversos artistas e celebridades. Para isso, Debbie convoca Lou (Cate Blanchett), Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter), Daphne Kluger (Anne Hathaway) e Tammy (Sarah Paulson).

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O elenco estelar – com três ganhadoras do Oscar e uma vencedora do Grammy – surpreende. E ainda sim foram necessários três ou quatro anos para que um projeto de alto orçamento completamente apoiado em atrizes fosse aprovado, como relatou recentemente o diretor Gary Ross. Saem as explosões e tiros, e entram o planejamento e a minúcia. O novo grupo não deve em nada ao encabeçado por Clooney há 17 anos.

Aos não acostumados com esse estilo de roteiro em um filme de ação/aventura, “Oito Mulheres e um Segredo” pode parecer entediante. E, talvez para estes, seja mesmo. Parece ser uma piada interna dentro dessa narrativa em que mulheres não precisam necessariamente recorrer a violência para executarem um plano de mestre – o contrário é amplamente explorado no cinema através de filmes de ação que explodem em testosterona.



Oito Mulheres e um Segredo” também é bastante metalinguístico ao colocar as atrizes diante de outras atrizes – Rihanna é uma das figuras que marcam presença todo ano no Met Gala na vida real. Anna Wintour – editora da Vogue e que organiza o baile -, Kim Kardashian, James Corden e Olivia Munn são algumas das celebridades que participam do filme.

Rodado antes dos escândalos que sacudiram Hollywood, “Oito Mulheres e um Segredo” deixa brecha para continuações, que certamente virão a depender de como o filme se sai nas bilheterias. É um bom filme “pipoca”, em uma era de profundas transformações sociais dentro e fora das telas.

Cotação: Bom 

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