Olinda mandou chamar Erasto

Parceiro de artistas da geração pós-mangue beat, como Eddie, Karina Buhr e Isaar, Erasto Vasconcelos deixa legado musical conectado à cidade de Olinda

Músico Erasto Vasconcelos faleceu nesta quinta-feira (27)Músico Erasto Vasconcelos faleceu nesta quinta-feira (27) - Foto: Marina Mahmod/Folha de Pernambuco

Dono de uma vida inteira dedicada à cultura de Olinda, Erasto Vasconcelos acompanhou seu último cortejo pelas ruas da cidade na tarde de ontem, quando seu corpo foi levado para o cemitério de Guadalupe, onde foi sepultado. Mais cedo no velório, que ocorreu no Mercado da Ribeira, a irmã Cenilda Vasconcelos explicou que a escolha dos lugares para o adeus foi uma determinação do próprio Erasto, que fazia questão de ser enterrado em Olinda, retratada em músicas do artista como “Guia de Olinda”, considerada por muitos uma espécie de hino do município.

Aos 69 anos, o músico morreu de parada cardíaca na noite da última quinta-feira (27), após 45 dias internado no hospital Miguel Arraes devido às consequências do enfarto que sofreu em 9 de agosto deste ano. “Ele era uma pessoa ímpar, muito simples e de uma sabedoria nata. Era também muito sozinho, apesar de ter tido muitos amores e ser muito querido, terminou sozinho porque quis. Tenho certeza que ele vai em paz, porque essa despedida é a cara dele, ele amava Olinda”, comentou Cenilda, que adiantou que a missa de sétimo dia deve ser na próxima quinta-feira, a pedido de integrantes da banda Eddie que até lá atendem a compromissos em São Paulo. Data e local ainda serão confirmados pela família. Este é o segundo abalo que a família Vasconcelos sofre neste ano, já que o percussionista Naná Vasconcelos, irmão de Erasto, morreu em decorrência de um câncer em março deste ano.

Erasto iniciou a carreira nos anos de 1960, quando morou no Rio de Janeiro e, como percussionista, chegou a tocar com gente como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa. Entre 1978 e 1981, morou nos Estados Unidos e trabalhou com nomes de peso do jazz internacional, como Ronald Shannon Jackson, Vernon Reid e Stan Getz. Foi por lá que o pernambucano se reuniu com Marcio Montarroyos e Hermeto Pascoal para gravar o álbum “Sonte Alliance”, que se tornou um dos títulos mais icônicos da música nacional.

De volta ao Brasil na década de 1980, mergulhou nas sonoridades das suas raízes iniciando uma profunda pesquisa que unia elementos do frevo, coco, maracatu e caboclinho através de instrumentos que ele mesmo criava. Respeitado pela sua habilidade rítmica, Erasto assumiu os vocais ocasionalmente, lançando poucos discos solo. “Jornal da Palmeira”, de 2005, foi seu álbum que atingiu maior sucesso comercial trazendo algumas faixas que até hoje ecoam na boca dos pernambucanos, como “Maranguape I” e “O Baile Betinha”. Essa última se popularizou ainda mais devido a regravação da banda Eddie, com a qual Erasto se apresentava recorrentemente.

Embora já tivesse se apresentado com a geração da música nordestina dos anos de 1970, como Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, sua música foi mais assimilada pelos músicos que surgiram após o Mangue Beat. Além da banda Eddie, outros nomes do cenário Pernambucano, como a Nação Zumbi, Karina Buhr e Isaar, assumiram a influência do compositor, com quem chegaram a estabelecer parcerias. No ano passado, o músico também relançou o livro infantil “Dez cantigas de roda, um maracatu, um afoxé, mas cuidado existe uma cobra”, feito originalmente em 1970, trazendo canções escritas para a filha Ginga.

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