Os mil moldes de Eudes e Aprígio

Artistas e amigos há 30 anos, Eudes Mota e Aprígio Fonseca unem forças criativas na exposição “Sem Modos”, na Arte Plural Galeria

Luciana SantosLuciana Santos - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

 

Uma coincidência reaproximou os trabalhos dos amigos Aprígio Fonseca e Eudes Mota, que não expõem em parceria há mais de três décadas. Morando em cidades diferentes - o primeiro vive em São Paulo e o segundo no Recife - e em contato apenas por meio das redes sociais, os artistas plásticos pernambucanos acabaram tendo a mesma ideia: experimentar o desenvolvimento de peças a partir de moldes de costura.

Ao se darem conta dessa sincronia não combinada, resolveram voltar a unir forças. O resultado é a exposição conjunta “Sem modos”, que fica em cartaz na Arte Plural Galeria, na rua da Moeda, no Recife Antigo, a partir de hoje, com abertura para convidados às 19h.
“Nos conhecemos em 1978 e, desde então, perdi as contas de quantas vezes expusemos juntos. Chegamos a ter um ateliê, no Bairro Novo, em Olinda, durante três anos, na década de 1980”, relembra Eudes.

A dupla esteve entre os nomes que iniciaram a Brigada Portinari (em 1982), movimento de artistas que produziam pinturas em muros, com o objetivo de apoiar as candidaturas de determinados políticos locais, como Miguel Arraes, Cristina Tavares e Roberto Freire.

Os parceiros começaram a testar o uso dos moldes em seus processos criativos de formas diferentes. Para Aprígio, a inspiração nasceu na década de 1990, quando sua esposa chegou em casa com revistas de corte e costura contendo as matrizes. Já Eudes, se encantou com as formas e traçados do padrão ao visitar a irmã. “No meu caso, esse suporte remete ao afeto. Assim que os vi, lembrei logo da minha avó, que também os utilizava para fazer roupas. Eudes, no entanto, pensa na geometria presente nas linhas”, diz Aprígio.

Produzidos individualmente, as obras dialogam fortemente. O material é o mesmo, mas a maneira como ele é trabalhado é diferente para cada criador. Em ambos os casos, há uma ressignificação. Liberto de sua função original, o molde é transferido para outros suportes, como vidro, acrílico e tecido, ou permanece no papel, com intervenções de colagens e pinturas.

“Esse é o grande barato: mostrar que a arte não precisa estar construída de uma forma única. O título, inclusive, vem desse conceito: sem educação e, ao mesmo tempo, de várias maneiras”, explica Aprígio. Com texto de apresentação de Marcelo Coutinho, a mostra segue em cartaz até o dia 23 de dezembro.

Serviço >
Exposição “Sem modos”
Quando: Abertura hoje, às 19h. Aberto ao público de amanhã a 23 de dezembro
Onde: Arte Plural Galeria (rua da Moeda, 140, Bairro do Recife)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3424-4431

 

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