Oscar deste ano terá presença histórica de transgêneros

Um filme realizado e outro protagonizado por pessoas trans disputam a mais conhecida premiação da indústria do cinema

Daniela Vega protagoniza 'Uma mulher fantástica'Daniela Vega protagoniza 'Uma mulher fantástica' - Foto: Imovision/Divulgação

Não é a primeira vez que são representados no cinema, mas este ano é diferente: dois filmes sobre transgêneros, feitos e/ou protagonizadas por transgêneros disputam o Oscar. Um marco.

Daniela Vega, atriz transgênero, interpreta de modo magistral Marina, uma jovem de luto e vítima dos preconceitos da conservadora sociedade chilena em "Uma mulher fantástica", indicado ao Oscar de filme em língua estrangeira. Na categoria documentário, Yance Ford, cineasta transexual, concorre por "Strong Island" - disponível na Netflix -, um filme de inspiração biográfica sobre o racismo e as falhas no sistema judiciário.

"É uma tendência observada há alguns anos, depois de 'Transparent' ou com Laverne Cox de 'Orange Is The New Black' na capa da revista Time, e agora no Oscar", explicou Larry Gross, professor do Departamento de Comunicação da Universidade USC.



Antes de "Uma Mulher Fantástica", outros filmes sobre ou com transgêneros venceram no Oscar: "Traídos pelo Desejo" (1992) venceu na categoria roteiro; "Meninos Não Choram" (1998) rendeu a estatueta a Hilary Swank; "Clube de Compras Dallas" venceu em três categorias, incluindo ator coadjuvante para Jared Leto por seu papel de Rayon; "A Garota Dinamarquesa" (2015) rendeu o Oscar de coadjuvante para Alicia Vikander e virou uma espécie de filme pioneiro do movimento.

Yance Ford, diretor de

Yance Ford, diretor de "Strong Island" - Crédito: Divulgação

Na série de TV "Transparent", Jeffrey Tambor interpretava - antes de ser demitido por acusações de assédio sexual - um transgênero, chefe de uma família burguesa da Califórnia, que normalizou a imagem desta comunidade. Mas todas estas produções foram protagonizadas por intérpretes cisgênero, - pessoas cuja identidade de gênero e sexo biológico coincidem -, e não por 'trans'.

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E é neste ponto que o Oscar de 2018 é diferente: não apenas as duas produções foram indicadas, os dois filmes foram dirigidos ou protagonizados por transgêneros, um grande reconhecimento. "É um momento sísmico, um pequeno terremoto que espero comece a mudar este campo totalmente", disse Ford. "Estamos caminhando pouco a pouco. Se chegarmos ao rio, poderemos atravessar a ponte. Ainda estamos caminhando para isso", afirmou Vega.

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