Paixão de Cristo de Nova Jerusalém busca renovação. Veja detalhes da temporada 2018

Mudanças nos cenários, além de destaque para os coadjuvantes estão entre as novidades deste ano

Renato Góes está convincente, mas ainda procura o tom do personagemRenato Góes está convincente, mas ainda procura o tom do personagem - Foto: Gustavo Glória/Folha de Pernambuco

A busca por renovação é uma constante na trajetória da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Contando a mesma história há cinco décadas, o espetáculo de Fazenda Nova, distrito de Brejo da Madre de Deus, tenta levar alguma novidade aos palcos todos os anos. Nesta 51ª edição, que segue com sessões até o dia 31 de março, além da já tradicional alteração no elenco principal, foram feitas mudanças nos cenários e em algumas cenas.

Durante a pré-estreia da produção, que ocorreu na última sexta-feira (23), foi possível perceber que, mesmo precisando de alguns ajustes, a peça cumpre sua missão de atingir o público através da emoção e do encantamento.

Escolhido para interpretar Jesus, o recifense Renato Góes mostrou um trabalho convincente, mas pouco inspirado. Em cenas nas quais se esperava grande intensidade dramática, como a crucificação, o ator pareceu ainda não ter encontrado o tom certo do seu protagonista. O destaque vai para os coadjuvantes, que roubaram a cena com suas atuações. O também pernambucano José Barbosa, que vive o apóstolo Judas há três anos, impressiona pela entrega, especialmente, no momento do suicídio do seu personagem.

No papel do sacerdote Anás, o fluminense Tonico Pereira faz um vilão com boas doses de sarcasmo, chamando a atenção para si em diversas situações. "Adoro papéis em que eu possa denunciar o quanto o ser humano é estranho. Essa história que estamos retratando não é diferente do presente brasileiro, em que a Justiça está longe de ser a coisa mais séria. Anás representa o poder, que está em toda parte do mundo", declarou o artista, após a abertura desta temporada. Na ocasião, ele despediu-se dos jornalistas com a frase: "Bolsonaro não!", deixando claro para onde seu voto não vai nas eleições presidenciais de 2018.

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Para Victor Fasano, que vive o rei Herodes, a maior dificuldade de fazer a montagem é interagir com as falas previamente gravadas. "Você está enclausurado ao texto que foi gravado. Então, a emoção é menor", lamentou. Na parte feminina do elenco, a pernambucana Fabiana Pirro comoveu os espectadores com uma Maria "humanizada", como ela própria define.



Rita Guedes também demonstrou total sintonia com sua Maria Madalena. "Se hoje nós mulheres sentimos a desigualdade em determinadas situações, imagina há mais de 2 mil anos. Madalena teve muita importância como discípula de Cristo, mas teve pouco reconhecimento. Por isso, acho que todas as conquistas femininas têm um pouco da força dela", defende a atriz.

Já a ex-panicat Nicole Bahls, que estreou no teatro como a rainha Herodíades, parecia um pouco perdida durante a cena do bacanal de Herodes, olhando para o público algumas vezes. Nesta cena, aliás, há uma interessante inovação, com a incorporação de um casal de bailarinos "plus size" ao elenco de bailarinos.

Serviço:


Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
Até 31 de março, às 18h
Nova Jerusalém (Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus)
R$ 100 e R$ 50 (meia-entrada), até quarta-feira; R$ 120 e R$ 60 (meia-entrada), quinta-feira e sábado; R$ 140 e R$ 70 (meia-entrada), sexta-feira

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