Palestra reflete perspectiva histórica e poética do Movimento Armorial

Nesta sexta-feira (29) é dia de palestra com o poeta Carlos Newton Jr, às 19h. O poeta, ensaísta e professor da Universidade de Pernambuco, foi amigo pessoal de Ariano Suassuna

Poeta e ensaísta Carlos Newton Jr. Poeta e ensaísta Carlos Newton Jr.  - Foto: Divulgação

Tão importante na década de 1970, quando o dramaturgo, escritor e saudoso Ariano Suassuna plantou sua semente despretensiosamente a partir de um curso de extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Movimento Armorial marcou época e é lembrado até hoje.

Para saber ainda mais histórias e obras que marcaram esse importante momento para a cultura brasileira, a exposição "Armorial: Da Pedra do Reino ao Ponteio Acutilado", em cartaz na Caixa Cultural, no Bairro do Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505), até agosto, procura aflorar o imaginário sensível e o poético do universo da cultura popular brasileira.

Depois de Oficina de Xilogravura, que rapidamente teve inscrições esgotadas, esta sexta-feira (29) é dia de palestra com o poeta Carlos Newton Jr, às 19h. Serão distribuídas 70 senhas, uma hora antes do evento.

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 Carlos Newton Jr,
poeta, ensaísta e professor da Universidade de Pernambuco, foi amigo pessoal de Ariano Suassuna. “Em uma perspectiva histórica, vou tentar esclarecer os princípios poéticos do movimento armorial. Esses princípios foram delineados pelo próprio Ariano, ao longo do tempo”, explica.

O poeta comentou sobre o legado que o movimento tem para a cultura brasileira. “Na minha opinião é um dos mais importantes para cultura brasileira porque se o movimento deixou de existir enquanto tal, a poética do movimento, a estética, os princípios continuam inspirando os artistas das mais diversas regiões do Brasil”, afirma.

A legitimação diante de uma exposição em um espaço tão relevante como a Caixa Cultural, foi destacada por Newton Jr. “É o reconhecimento da permanência, da atualidade dessa poética armorial, inclusive convidando artistas mais jovens, que não fizeram parte da primeira fase do movimento”.

Exímio pesquisador do Armorial, ele afirma que é difícil falar do movimento hoje, já que alguns escritores fogem do rótulo, mas que inconscientemente são perceptíveis suas influências. A mostra que pode ser vista na Caixa Cultural reúne obras do gravador Gilvan Samico; pinturas e desenhos de Romero de Andrade Lima; pinturas míticas de Sérgio Lucena e fotografias de Gustavo Moura, artistas inspirados pelo movimento.

   Popular e erudito

O professor explica e a cultura popular e o erudito dialogam na construção da concepção do movimento. “A cultura popular sempre existiu à margem da cultura oficial. E a ideia do movimento armorial era construir pontes entre o popular e o erudito. O que Ariano vai fazer antes mesmo de lançar o movimento Armorial”. Segundo ele, Ariano Suassuna dizia que o universo popular é tão importante quanto o do erudito. Em várias ocasiões, o dramaturgo afirmava que um artista como J. Borges é tão importante como a arte de Samico.

O Teatro de Ariano


O romance "Dom Pantero no Palco dos Pecadores" foi obra póstuma do escritor Ariano Suassuna, falecido em 2014. Mas sua obra não para por aí, existe previsão de lançamento do livro "Teatro completo de Ariano", pela Nova Fronteira. “São 20 peças, muitas inéditas. Peças longas, curtas. Vai sair agora pela primeira vez, a exemplo de 'Desertor de princesas e outras peças inéditas'”, conta com exclusividade o professor Carlos Newton Jr.

Serviço:
Palestra com Carlos Newton Jr.
Caixa Cultural (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Neste sexta-feira (29), às 19h
Informações: (81) 3425-1915
Distribuição de 70 senhas, 1 hora antes

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