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Panela do Jazz 2026 celebra centenário de Moacir Santos e anuncia data

Festival recifense aposta em música instrumental, ações formativas e sustentabilidade como pilares da edição marcada para novembro, no Poço da Panela

Em 2026, o músico, maestro e arranjador Moacir Santos  homenageado do Panela do Jazz  completaria 100 anos de idadeEm 2026, o músico, maestro e arranjador Moacir Santos homenageado do Panela do Jazz completaria 100 anos de idade - Foto: Divulgação

O bairro do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife, volta a receber o Festival Panela do Jazz no próximo dia 21 de novembro, com acesso gratuito e uma programação que reúne música instrumental, atividades educativas, gastronomia, feira criativa e intervenções artísticas. 

Consolidado como um dos eventos dedicados à valorização da música instrumental brasileira em Pernambuco, o festival terá nesta edição uma homenagem especial ao centenário do maestro e compositor pernambucano Moacir Santos.

Guiada pelo conceito “Quilombo Sonoro: Liberdade e Ancestralidade – As Mil Faces das ‘Coisas’ de Moacir Santos”, a curadoria propõe uma reflexão sobre a herança afro-brasileira na música instrumental e a potência criativa das tradições populares. 

A ideia é destacar a ancestralidade como elemento vivo e transformador, relacionando resistência cultural e experimentação artística.

Segundo o idealizador e curador do evento, Antonio Pinhêiro, a programação musical reforçará o diálogo entre ritmos de matriz afro-brasileira e improvisação instrumental. 

“[Vamos] trazer essa homenagem [a Moacir Santos] para estruturar um tributo vivo e contemporâneo. Em vez de limitar a uma celebração memorialística, [pretendemos] trazer uma leitura expandida do legado de Moacir, estimulando ficções criativas entre matrizes afro-brasileiras na música instrumental jazzística... trazer também desfiles de tradições de cultura afro-brasileira, como o Afoxé, o Maracatu, uma representatividade da nação nagô dentro da própria ancestralidade de Moacir Santos”, diz Pinhêiro, citando como exemplo a música Nanã, de Moacir, dedicada à orixá.

As atividades de formação seguirão a mesma proposta conceitual da programação artística e terão foco na escuta, na memória e nos processos criativos ligados à música negra brasileira. 

Os detalhes das atrações serão divulgados gradualmente nos próximos meses pelas redes sociais oficiais do festival.

Homenageado
Nascido em 1926, no Sertão do Pajeú, Moacir Santos é reconhecido como um dos nomes mais influentes da música instrumental brasileira. 

Multi-instrumentista, arranjador e maestro, o pernambucano construiu uma trajetória marcada pela inovação estética e pelo diálogo entre ritmos afro-brasileiros e jazz, deixando contribuições decisivas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Ao escolher Moacir como homenageado de 2026, o festival ressalta a permanência de sua obra como referência para a música instrumental contemporânea. 

Elementos presentes em suas composições, como a ancestralidade nagô e a fusão entre sonoridades afro-brasileiras e jazzísticas, também orientam a identidade visual do evento, criada este ano pelo artista pernambucano AfroG.

“Estes elementos inspiraram a construção não só da programação artística, como também deram alma para nossa identidade visual, que este ano é assinada pelo artista pernambucano AfroG”, explica Antonio Pinhêiro.

A curadoria também pretende dar destaque à produção musical pernambucana, reunindo artistas locais em uma programação que evidencia a influência de Moacir Santos sobre a cena instrumental do estado. 

“Sobretudo por trazer a representatividade da cultura popular afro pernambucana e a reverência a Moacir Santos na formação da estética do afrojazz brasileiro e naturalmente, da cena da música instrumental pernambucana”, completa o curador.

Sustentabilidade como eixo central
Além da programação artística, o Panela do Jazz 2026 fortalece a proposta de integrar cultura e sustentabilidade em sua concepção. 

Inspirado na teoria da “biointeração sustentável”, desenvolvida pelo pensador Nego Bispo, o festival amplia o debate ambiental ao considerar a relação entre arte, território e desenvolvimento social.

Esse direcionamento está reunido no eixo “Arte e Cultura em Movimento Sustentável”, que orienta ações voltadas para educação ambiental, economia circular, turismo regenerativo e uso de energias limpas. 

Para a organização, a cultura pode atuar como ferramenta concreta de transformação socioeconômica.

“Esta frente conceitual é um reflexo direto do nosso trabalho diante aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Cada vez mais fomos entendendo a arte e a cultura como possibilidades efetivas de geração de impacto, não só de renda, mas de desenvolvimento social”, destaca Antonio Pinhêiro. 

“Estamos falando do turismo regenerativo, da energia limpa, da educação ambiental e economia circular. Nossa programação de 2026 vai contemplar muita coisa nesse sentido, acompanhando a descentralização também proposta na arte de Moacir Santos”, conclui.

SERVIÇO
Panela do Jazz 2026
“Quilombo Sonoro: Liberdade e Ancestralidade – As Mil Faces das ‘Coisas’ de Moacir Santos”

Quando: 21 de novembro
Onde: Poço da Panela - Recife-PE
Evento gratuito
Instagram: @paneladojazz

*Com informações da assessoria

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