Pangeia aposta no poder de unir forças culturais e criativas

O espaço no Bairro do Recife passa por reformulação e reúne rotinas criativas de artistas, designers e empresários da Cidade

O grupo completo desta nova fase O grupo completo desta nova fase  - Foto: Jose Britto

O número 328 da rua Mariz e Barros, um prédio de grandes dimensões da década de 1930, no Bairro do Recife, abriga, no seu quarto e último andar, o ateliê Pangeia. O nome é sugestivo, uma referência à teoria que relata a existência de um continente gigante até o período cretáceo. Seria, na realidade, a união de todos os continentes que conhecemos atualmente. Teorias à parte, parece que o espaço no coração da Cidade representa mesmo esta liga entre muitos perfis artísticos e criativos.

Inicialmente, há três anos, foi pensado para ser apenas a junção dos ateliês de Aslan Cabral, Paula Boechat e do coletivo Vacilante. Com a iminente saída deste último, a pergunta era: vai continuar? os dois integrantes que restaram não tiveram dúvidas. Continuar ali era uma certeza. Agora, a ideia é apostar na força de agregar. Explorar o potencial cultural do bairro, da Cidade, das pessoas. E mais: abrir debates e aguçar os olhares.

Aslan está desde o início do projeto

Aslan está desde o início do projeto - Crédito: Jose Britto

Por muito tempo, a Pangeia também foi espaço para cursos e oficinas integradas a eventos alternativos, a exemplo dos festivais Coquetel Molotov e Janela Internacional de Cinema. "A gente já experimentava a expansão disso, mas sempre foi só um ateliê de artes plásticas", conta Aslan. A partir da saída do grupo, Aslan e Paula foram juntando amigos e parceiros para endossar o projeto. A meta é transformaá-la numa espécie de hub cultural, de inovação. Da nova formação, os nomes são os artistas plásticos Bruno Alheiros, Heitor Dutra, Caroll Falcão, SpotArt (de Ricardo Lyra e Eduardo Gaudêncio) e Bunker Design (Cyro Buarque).

A Pangeia, nestes três anos, viu muita coisa mudar no bairro, dialogando diretamente com os acontecimentos. Principalmente no que diz respeito à política de revitalização. Foi nesse tempo a mudança da avenida Rio Branco para via de passeio, aberta apenas para pedestres, a recuperação de algumas fachadas e o crescimento de outros eventos que movimentam as ruas históricas do Recife. Para Aslan, "Tem algo de muito potente acontecendo no lugar", que, vale destacar, fica em um ponto estratégico: desemboca na Rio Branco, pela qual é possível chegar até o Marco Zero, e também fica a poucos passos de outros sítios de inovação e criatividade da Capital pernambucana.

Paula Boechat também está desde a formação inicial

Paula Boechat também está desde a formação inicial - Crédito: Jose Britto

 

Mais do que juntar esses sete núcleos, divididos entre artistas, designers e empresários, a ideia é deixar um saldo para o Recife. Fazer ferver (de ideia, de troca). "Nesta nova fase da Pangeia, a gente está juntando forças com diferentes agentes de produção de cultura e de produtos", explica Aslan. E é nesse fluxo, é dessa inquietação própria das artes plásticas, que a Pangeia ganha mais corpo com Bruno Alheiros e Heitor Dutra, artistas que circulam e já estão nos principais equipamentos culturais da Cidade.

 Da parte de mercado, a SpotArt, que até então existia apenas virtualmente, passa a ter este espaço físico que respira e exala inovação, e chega para contribuir com a experiência em compra e venda de obras pela internet. Já a designer de roupa Caroll Falcão faz da Pangeia o seu ateliê de criação. "Eventualmente eu posso receber uma cliente ou outra, mas a ideia é realmente vir para criar", explica. A Bunker contribui com o seu eco design de móveis, pautado pelo respeito ao meio-ambiente e marcado pela riqueza de formas.

Bruno Alheiros

Bruno Alheiros - Crédito: Jose Britto

Heitor Dutra

Heitor Dutra - Crédito: Jose Britto

No processo criativo, as interações têm sido constantes e ricas. "Eu não tinha essa troca com ninguém. Eu não dividia meu processo. E, desde que eu cheguei, a gente faz isso aqui", comenta Alheiros. O melhor, segundo todos, é sair das bolhas, contar com o outro. "Esse foi um dos presentes que eu recebi do Recife. A arte salvando. Esta luz, este lugar mudou meu trabalho, também a minha visão do Recife. Foi incrível esse processo", declara-se a carioca Paula Boechat, que está de malas prontas para voltar ao Rio de Janeiro, mas não abre mão do seu espaço na Pangeia. 

Caroll Falcão

Caroll Falcão - Crédito: Jose Britto

 

 

Ricardo Lyra e Eduardo Gaudência

Ricardo Lyra e Eduardo Gaudência - Crédito: Jose Britto 

 

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