Parceria entre duplas sertanejas visa a renovação

Chitãozinho & Xororó e Bruno & Marrone buscam seguir as superproduções do sertanejo atual no DVD “Clássico”

João está entre está entre os 50 selecionados de todo BrasilJoão está entre está entre os 50 selecionados de todo Brasil - Foto: Divulgação

 

A exemplo de projetos como o progra­ma global “Amigos”, da década de 1990, a aliança entre duplas sertanejas se tornou um recurso recorrente para alavancar sucessos no segmento. Recentemente, com o surgimento de novos festivais de música, essas parcerias têm se repetido com mais intensidade geralmente ligando gerações diferentes, como aconteceu com Rick Sollo e Daniel e Edson & Hudson e Rionegro & Solimões, na busca pela renovação do público. Os novos nomes a abraçar a ideia são as duplas Chitãozinho & Xororó e Bruno & Marrone, que nesta sexta-feira, lançam o CD e DVD “Clássico”, que reúne os quatro músicos no palco para relembrar suas canções mais emblemáticas e apresentar inéditas.

Embora já tenha participado do próprio “Amigos”, ao lado de Zezé Di Camargo & Luciano e Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó chamam a atenção desta vez por se aliar a uma dupla com proposta diversa da sua, como o próprio Xororó fez questão de diferenciar em coletiva realizada em São Paulo, na última terça-feira. “Na hora de escolher as inéditas, a gente chegou à conclusão que cada dupla escolheria duas músicas, porque os gostos são variados. O Bruno está pensando muito nesse momento na execução de músicas mais comerciais, a gente já é mais chegado naquele negócio de mais conteúdo, mais melodia, músicas mais complicadas”, alfinetou Xororó, em tom amistoso.

Embora ambas as duplas sejam veteranas, os paranaenses com 45 anos de carreira e os goianos com 30, os segundos se identificam com a estética do sertanejo mais pop, cujas letras remontam ao lado pitoresco das relações afetivas. “A gente ainda continua no mercado fazendo o mesmo trabalho que os mais novos estão fazendo, mas com menos intensidade, porque eles são uma loucura, lançam tanta música que não respeitam nem o limite de execução de 3 meses”, comentou Bruno sobre o trabalho com Marrone. 

“Acabam gravando tanta m... que tem que gravar várias até acertar”, brincou o último sobre o ritmo dos mais jovens ao que sua dupla o corrigiu: “a gente mesmo não sabe o que o povo quer ouvir, nessa busca incessante pelo sucesso, eles gravam de tudo”, opinou Bruno.

Ao reconhecer que não estiveram tanto nos holofotes nos últimos dez anos, Chitãozinho & Xororó concordaram com os parceiros. “Sempre foi assim, a gente nunca sabe o que o povo vai assimilar melhor. Às vezes, você grava algo de qualidade e não vira sucesso, aí vem outro e grava qualquer coisa e vira sucesso. Não entramos na onda de gravar uma música atrás da outra, porque preferimos dar um tempo maior e gravar algo de mais qualidade. Acho que quando você tem uma carreira consolidada, não precisa se preocupar se vai tocar na rádio”, comentou Chitãozinho que, apesar de prezar pelo sertanejo de raiz, alega que a qualidade do trabalho de Bruno&Marrone foi um dos motivos que permitiram a realização do “Clássico”.

O CD e DVD é consequência de uma apresentação despretensiosa em Barretos, em 2013, que atraiu o interesse de vários empresários, que contrataram o formato em algumas ocasiões posteriores. Por conta da agenda corrida das turnês de cada dupla, o show foi pensado da maneira mais prática. “A gente acompanha eles desde criança, por isso a gente sabia muito mais do repertório deles, do que eles do nosso. Como a gente precisava de rapidez, o repertório foi pensado explorando mais música de Chitãozinho & Xororó mesmo”, justificou Bruno. Porém, os quatro já pensam na possibilidade de lançar uma segunda edição de “Clássicos”, em que os paranaenses poderão se dedicar mais ao repertório dos goianos.

O que tudo indica é que o projeto provoque uma pausa nas turnês individuais, e as duplas excursionem mais juntas. “Nesse momento que o mercado vive uma crise, é importante dar essa variedade para o empresariado que busca coisas novas”, observou Bruno, que acredita que o projeto pode ser uma alternativa para o cenário saturado do sertanejo. “Tem tanta gente, que tem que juntar as duplas, senão não sobra show para ninguém”, brincou Marrone.

 

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