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Participação do Brasil em Cannes gera rixa entre setor e governo

A Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos (Apex) não renovou convênio do programa Cinema do Brasil, que é liderado por nomes da indústria dessa área

Festival de CannesFestival de Cannes - Foto: Pixabay

A participação do Brasil na rodada de negócios do Festival de Cannes abriu um racha entre o governo e parte do setor cinematográfico, mais especificamente entre os integrantes do sindicato paulista do audiovisual. A Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos (Apex) não renovou o convênio do programa Cinema do Brasil, que é liderado por nomes da indústria dessa área, e decidiu que irá encampar as suas atividades na mostra francesa, a mais importante do gênero.

A decisão causou mal-estar no meio. Desde 2006, o projeto, tocado por integrantes do setor audiovisual, mantém um estande em Cannes e realiza ali encontros entre produtores brasileiros e parceiros internacionais, além de divulgar produções feitas por aqui para eventuais interessados em distribuí-las em seus países. A Apex era uma de suas patrocinadoras.





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Mesmo sem contar com o apoio neste ano, o programa negociou com a direção do festival a sua participação na edição de 2019, que começa em maio. O estande está assegurado, e as atividade de promoção também. Só que a agência busca ocupar o espaço e centralizar essas ações.

"A Apex não é sócia nem inventora do programa. Agora quer pegar o estande que nós pagamos e nos fazer trabalhar de graça para ela", diz André Sturm, idealizador do Cinema do Brasil. "Um estande em Cannes não é como um estande numa feira de automóvel, precisa de expertise para tocar aqueles negócios."

Procurada pela reportagem, a agência informa que tem, sim, "analistas especializados no setor de economia criativa e do audiovisual" e que a ação será feita nos moldes da participação brasileira em eventos internacionais recentes, como a Semana de Design de Milão e o festival SXSW, no Texas.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Apex se queixa de que o Siaesp (Sindicato da Indústria do Audiovisual de São Paulo), que organiza o Cinema do Brasil, "se recusa a cooperar" e não está cedendo o uso do espaço brasileiro em Cannes. Informa ainda que o pavilhão foi pago com recursos dela.

"A agência já providenciou a contratação dos fornecedores necessários à realização do restante do projeto, mas esbarra, no momento, no não cumprimento, por parte do Siaesp, do regulamento de convênios da Apex", diz a nota enviada à reportagem. O convênio entre a agência e Cinema do Brasil valia por dois anos e deveria ter sido renovado em fins de março. Desde janeiro, representantes do programa têm tentado marcar uma reunião para discutir a permanência da iniciativa, mas a nova diretora de negócios da agência, Leticia Catelani, não os tem atendido.

A interlocutores, ela afirma que é contra o programa. Próxima do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ela é protegida do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Catelani foi também pivô da demissão do último presidente da Apex.

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