Peça 'Aluga-se' encena dificuldades para sobreviver da arte

Dança encenada pelos bailarinos do Grupo Acaso estreia nesta quarta-feira na programação do Janeiro de Grandes Espetáculos

Aluga-seAluga-se - Foto: Bárbara Aguiar/ Divulgação

Não é difícil ouvir reclamações sobre os desafios de trabalhar com arte em Pernambuco. Ainda que o Estado seja visto como um dos grandes "celeiros culturais" do Brasil, dificuldades para a viabilização de projetos na área são sempre apontadas por artistas locais. Inconformados com a situação, uma equipe de bailarinos resolveu transformar essa realidade em um espetáculo de dança. "Aluga-se", assinado pelo Grupo Acaso, estreia na programação do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos, nesta quarta-feira (24), às 19h, no Teatro Marco Camarotti.

"Vejo muita gente usando redes sociais para protestar contra a falta de incentivo à cultura. Só que as coisas não mudam porque ninguém faz algo a não ser de reclamar. Nada mais justo que usarmos o que nós temos em mãos, a nossa arte, para tentar transformar a realidade", afirma Bárbara Aguiar, diretora da montagem. A obra coreográfica foi idealizada de forma coletiva, a partir das reflexões de seis intérpretes/criadores. Estão no elenco os bailarinos Anderson Dimas, Ayrton Tavares, Hulli Cavalcanti, Hayla Cavalcanti e Janaína Gomes.

De forma cômica, os artistas colocam em cena diferentes aspectos da profissão. "Um problema desencadeia outro. Começa com as deficiências na formação educacional do público, que acaba não criando o hábito de frequentar teatros. Isso impede que a gente possa contar só com a bilheteria para financiar nosso trabalho, fazendo com que o artista fique cada vez mais dependente dos editais públicos de incentivo", explica.

Outro tema discutido é o da liberdade criativa, impulsionado por episódios como o da exposição "Queermuseu", cancelada em setembro do ano passado, em Porto Alegre, após pressão de grupos conservadores. A trilha sonora mescla compositores locais, como Juvenil Silva e Vinícius Barros, e músicos brasileiros considerados “malditos” nas décadas de 1960 e 1970, como Itamar Assumpção e Walter Franco.

Apesar dos percalços do ofício, os criadores fazem questão de enfatizar no espetáculo o lado positivo de ser artista. "Os integrantes do nosso grupo precisam 'se virar em mil' para garantir o sustento. A maioria não vive só da dança. Além de bailarinos, trabalham como professores, assessores de imprensa, operadores de telemarketing e outras funções. Ao mesmo tempo, não conseguem viver sem arte; só se sentem completos em cena. Quando está no palco, o artista sempre deixa um pedaço dele com o público", afirma.

Serviço

Espetáculo "Aluga-se"
Quarta-feira (24), às 19h
Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro - Rua Treze de Maio, 455)
R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3216-1728

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