Peça 'Mi Madre' explora a relação com a ancestralidade feminina

Espetáculo "Mi Madre", de Jhanaina Gomes, faz sua estreia nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna, destacando a relação da protagonista com suas antepassadas

Montagem teatral foi a maneira encontrada por Jhanaina para resgatar suas raízesMontagem teatral foi a maneira encontrada por Jhanaina para resgatar suas raízes - Foto: Morgana Narjara/Divulgação

"Yo dentro de mi madre, mi madre dentro de mi abuela, mi abuela dentro de su madre". A longa trajetória unida pelo fio do umbigo é a base para uma narrativa "mitodológica" que deu origem à peça que a atriz e bailarina Jhanaina Gomes estreia nesta quarta-feira (22), no Teatro Arraial Ariano Suassuna, às 20h. A sessão de "Mi Madre" será única no Recife, onde a artista está em busca de um teatro ou espaço para dar continuidade ao trabalho cênico. A previsão é de que haja uma temporada em Natal (RN), em junho.

Leia também:
Uma vida em busca da arte
Semana Afro celebra a ancestralidade africana, em Chão de Estrelas
Peça "Aluga-se" encena dificuldades para sobreviver da arte  

Segundo a atriz, o espetáculo solo de dança e teatro integra um processo iniciado a partir de 2010, através de pequisas e experimentos em que lidava com o arquétipo da Grande Mãe e toda a mitologia ligada às diversas formas de se exercer a maternidade. "O chamado para a minha própria maternidade surgiu aí", relembra a atriz, que engravidou do filho Lótus enquanto participava do Grupo de Estudos sobre o Trabalho do Ator (Geta) e foi chamada a pesquisar sobre si mesma. "Eu tinha saído um período de casa, e no processo de voltar, passei a olhar para minha mãe com um olhar muito diferente. Ela é uma pessoa incrível, um personagem, e a história de vida dela é uma peça de teatro. Um mês depois de começar a pesquisa, engravidei", pontua.

Espetáculo conta as histórias de Jhanaina, sua mãe e suas avós

Espetáculo conta as histórias de Jhanaina, sua mãe e suas avós - Crédito: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Este seria o embrião para trabalhos futuros, entre eles "Mi Madre", que se volta para o inconsciente da própria Jhanaina e de suas antepassadas - a mãe, Conceição; a avó paterna, Benedita Ângela; e a avó materna, Maria. "Falo sobre a mãe da minha mãe, a mãe do meu pai, a minha própria mãe, e sobre mim. Minha ancestralidade, meu clã de mulheres que doem. Eu comecei a identificar que estava repetindo a história delas. Falo das experiências de cada uma, porque esta é uma maneira da gente curar essa linhagem, e se perdoar também nesse percurso", descreve Jhanaina, que procura remontar as memórias de suas antepassadas, alinhavando-as com a sua própria história e tecendo uma correlação de tensão entre a presença masculina e o feminino ferido, no percurso da vida dessas mulheres.

Ela percebeu, por exemplo, a importância exacerbada que estas mulheres deram ao “casamento”, tendo a figura masculina como eixo central de suas vidas, seus anseios e angústias. Jhanaina explica que, além de ser uma "lavagem de roupa suja do feminino da família", a peça é a forma que encontrou de ressuscitar e colocar os pés no chão. "Está tudo ali, nu e cru, um trabalho de potência e poesia, de poder olhar pra dentro, alcançar minhas raízes, virar semente e poder brotar novamente". Uma história muito particular, que se amplia e se torna universal.

Serviço:
Estreia do espetáculo "Mi Madre"

Teatro Arraial Ariano Suassuna (rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Nesta quarta-feira (22), às 20h
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada), à venda no site Sympla ou na bilheteria do teatro
Classificação: 12 anos 

Veja também

The Wailers, banda de Bob Marley, se apresenta no Recife em janeiro
Lenda do Reggae

The Wailers, banda de Bob Marley, se apresenta no Recife em janeiro

Fenômeno 'Now United' anuncia show no Recife
Música

Fenômeno 'Now United' anuncia show no Recife