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Pedro Almodóvar volta o olhar para si em 'Dor e glória'

Novo filme do diretor espanhol, estrelado por Antonio Banderas, retrata um cineasta em crise na carreira

Antonio BanderasAntonio Banderas - Foto: El Dese/Manolo Pavón/Divulgação

Estreia de filme de Pedro Almodóvar é sempre cercada de grandes expectativas. Ao longo de mais de 40 anos de carreira, o cineasta espanhol conquistou não apenas dezenas de prêmios, mas também um séquito de fãs tão fervorosos e passionais quanto as obras que ele assina. "Dor e glória", seu mais novo trabalho, é um prato cheio para os admiradores do cinema almodováriano. O longa-metragem, que chega nesta quinta-feira (13) às salas de exibição brasileiras, tem como principal inspiração o próprio diretor.

Embora não seja uma autobiografia propriamente dita, o filme expõe muito da intimidade de seu criador. Afinal de contas, a trama é centrada na figura de um cineasta sexagenário, que atravessa uma crise criativa, ao mesmo tempo em que revê a sua vida. Em entrevista à AFP, durante o Festival de Cannes, em maio, o diretor falou sobre a hesitação em expor seu passado nas telas.

"A princípio, senti a vertigem de me expor demais. Sou cheio de pudores, não falo da minha vida íntima nem com meus amigos, mas assim que superei, virei um tema a mais. Mas em algumas cenas com a mãe eu lembro de tê-las escrito chorando", conta.

A escolha para interpretar o alter ego de Almodóvar, batizado de Salvador Mallo, não poderia ser mais óbvia: Antonio Banderas. O ator, que ganhou um prêmio em Cannes pelo papel, trabalhou repetidas vezes com o diretor e chegou a Hollywood graças aos filmes dele. Outra queridinha do cineasta que também está no elenco é Penélope Cruz. A estrela de "Volver" (2006) vive a mãe do protagonista na juventude. Nora Navas, Cecilia Roth e Leonardo Sbaraglia aparecem em papéis secundários.

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Ao rever a trajetória de Mallo, o diretor coloca em cena temas íntimos, como sexualidade, a relação com a mãe e os bloqueios criativos, ainda que nem tudo deva ser levado ao pé da letra. "Não se deve ver o filme de modo muito literal: sim, vivi um amor truncado em um momento em que o amor estava vivo, mas eu não tive essa relação de estranhamento com a minha mãe. Isso representa os olhares de estranhamento que eu sentia quando era criança na aldeia, na família e no colégio. Tampouco me apaixonei aos 9 anos por um pedreiro, mas poderia ter acontecido", explica.

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