'Por Onde Andam Os Porcos': quatro dias de performance na Galeria Janete Costa

Espetáculo questiona estruturas e fala sobre ruínas da humanidade

Performance 'Por Onde Andam os Porcos'Performance 'Por Onde Andam os Porcos' - Foto: Rhaiza Oliveira

Corpos como cernes de questionamentos comuns a quem vive em sociedade e com ela compartilha vivências, ora sufocadas por cobranças em excesso, ora cercadas de mazelas coletivas e letargias que cessam a capacidade de enxergar além do próprio egoísmo. Esses são alguns dos direcionamentos que serão levados ao palco da Galeria Janete Costa (Parque Dina Lindu) com a performance "Por Onde Andam Os Porcos", apresentado em curta temporada nesta terça (30), quarta (31), sexta (2) e sábado (3), às 19h30.

Com direção geral de Kildery Iara, o espetáculo, que é para maiores de 18 anos, parte de uma releitura da imagem do “porco capitalista” - termo criado a partir do livro "Revolução dos Bichos", de George Orwell - e traz indagações sobre o ser como indivíduo político, responsável pelo mundo sentenciado tal qual como ele se apresenta.





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"O trabalho pretende gerar dúvidas e dividir responsabilidades, sem intencionar respostas ou caminhos. O que fazemos é dar um diagnóstico do que a gente já sabe, das relações (de ruína) construídas coletiva e individualmente, interpretadas em formato de metáforas", enfatiza Kildery em entrevista à Folha de Pernambuco, que além de estar à frente da direção do espetáculo, também atua como intérprete-criadora. "É como se os corpos que vivemos não estivessem suportando mais as devastações criadas pela própria humanidade. Por isso falamos da gênese de um novo corpo", complementa. 

Por meio de jogos e improvisos dirigidos, as metáforas corporais da performance estabelecem movimentos que repensam o uso dos espaços que, de acordo com Kildery, "se mostram isolados do resto mundo, tal qual uma obra de arte emoldurada".

"Quando acabamos o trabalho, não oferecemos soluções sobre a possibilidade de um novo mundo. Desejamos dividir a responsabilidade com as pessoas, porque é importante parar de se afastar do que é de todos nós", salienta ela que, no palco, se vale de um pulmão superdimensionado que filtra e armazena oxigênio, enquanto que outros pares do elenco cria/interpretam corpo braços menores do que o convencional. "É como se a gente não conseguisse, com o corpo que temos, dar conta de viver", conclui a diretora do espetáculo, que tem incentivo do Funcultura PE.

Serviço
Por Onde Andam Os Porcos

Terça (30), quarta (31), sexta (2) e sábado (3), às 19h30
Galeria Janete Costa (Parque Dona Lindu, Av. Boa Viagem)
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda no Sympla
Classificação indicativa: 18 anos

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