Por trás dos sprays do Galo, Flávio Barra, Tadeus Lima e Murilo Santiago

Nascido no Pará e vivendo há 16 anos no Recife, Flávio Barra, 42, começou a grafitar aos 12 anos

Nome: Flávio Barra Idade: 42 anos Estado Civil: Casado (pai de dois filhos) Profissão: Jornalista e grafiteiroNome: Flávio Barra Idade: 42 anos Estado Civil: Casado (pai de dois filhos) Profissão: Jornalista e grafiteiro - Foto: Alfeu Tavares

Com projeto inspirado na decoração do Carnaval do Recife, toda em grafite, o Galo da Madrugada 2017 vem com proposta visual diferente. De traços e cores novas, o gigante folião representa a força da mulher e faz seu début no dia 24, a sexta-feira de Momo, na ponte Duarte Coelho. O que ninguém sabe direito é quem são os artistas por trás dos sprays. Flávio Barra, Tadeus Lima e Murilo Santiago, grafiteiro, artista plástico e arquiteto, com um objetivo em comum: “dar vida” a um dos maiores símbolos de Carnaval do Mundo.

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Nascido no Pará e vivendo há 16 anos no Recife, no bairro do Espinheiro, Flávio Barra, 42, começou a grafitar desde muito jovem, aos 12 anos. Aos 15, por conta dos estudos, teve que largar o grafite. Trinta anos depois, ele está de volta, agora com o projeto “Santo Forte nas Ruas”. “Sempre gostei de grafitar, sempre quis fazer isso. Eu passei esse hiatos todos por conta do trabalho, voltei faz pouco tempo através de um amigo. Ele tem um projeto - Plante amor, colha o bem, responsável por colorir as ruas da cidade com os corações e regadores da campanha”, disse.
De volta ao grafite efetivamente há três anos, Flávio contou que o incentivo para a criação do projeto surgiu de uma saída com o amigo Rafa Mattos (da campanha Mais amor, por favor). “O Santo Forte nas Ruas nasceu desse retorno quando Rafa me chamou para grafitar. Quando eu entrei na televisão, ele sempre dizia que tinha olho gordo em cima de mim, então num dia a gente saiu para grafitar e ele disse: ‘A partir de hoje você é um santo forte nas ruas’. Depois disso eu assumi esse pseudônimo e não parei mais. Foi crescendo, crescendo, começou como uma curtição e agora está virando uma coisa bem séria”, explicou.

Jornalista e grafiteiro, ele possui um estilo próprio, que considera livre. A marca do seu trabalho é a personagem Maria, inspirada na filha de mesmo nome. Ela surge com “meia face” de uma boneca de cílios gigantes, cabelos coloridos e compridos que se entrelaçam. Os pernambucanos Guga Baygon, Rafael Barbosa, Derlon Almeida, além do paulista Zezão, o espanhol Okuda e a mexicana Paola Delfin são algumas de suas referências artísticas.
Convidado para estar à frente da pintura do Galo da Madrugada neste ano, ele afirmou estar vivendo um sonho. “Todo grafiteiro espera um dia fazer uma grande obra, mas o Galo da Madrugada é surreal. Não dá para mensurar. Ele é maior que qualquer coisa, envolve a paixão, o amor, a alma de um povo. É uma grande responsabilidade interferir nisso”, afirmou. Quanto à finalidade do projeto, ele foi direto e garantiu até onde pretende ir. “A proposta do Santo Forte Nas Ruas é pintar o mundo”, finalizou.

Por dentro da própria arte
Vivendo há 20 anos no universo das artes, o amor pelo que faz dá o tom ao trabalho do recifense Tadeus Lima, de 52 anos. Formado em desenho técnico, ele trabalha com decoração, pintura de telas, esculturas e também artesanato. Com bagagem enorme no currículo, já realizou trabalhos para o time de futebol Santa Cruz e pinturas artísticas para o Veneza Walter Park. Também atuou para a escola Gigantes do Samba.

Integrante da equipe de pintura e decoração do Galo, contou sobre o projeto. “Estou fazendo parte da decoração junto com Flávio, dando as nuances. Coloquei as penas no tamanho original, a Maria - que é a personagem dele, ele faz a parte do grafite. Faço a outra parte, da roupa, da crista e do rabo do galo”, explicou.

A vontade de ser artista surgiu do desejo de seguir os passos da mãe, artesã. “Deus me deu o talento de desenhar. Minha mãe é artesã, comecei a reproduzir artesanatos de concha da praia, viajava para Santa Cruz do Capibaribe para vender minhas peças.

Depois, veio a pintura e fui me qualificar. Entrei para a escola de Belas Artes e fui aprendendo no dia a dia”, comentou.

Engajado em decorações de blocos carnavalescos, Tadeus já participou das roupagens do Galo da Madrugada anos antes do veterano artista plástico Sávio Araújo, na época do fundador Enéas Freire. “Eu participei fazendo a decoração do Galo quando ele entrou para o Guinness Book. Começar a trabalhar no Galo para mim foi uma surpresa, eu fazia escolas de samba, confeccionava bonecos de Olinda para os blocos daqui, eles me convidaram para trabalhar e eu fiquei muito satisfeito”, afirmou. “É uma satisfação imensa fazê-lo pensando sempre em agradar ao público, porque ele é do povo”, concluiu.

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