Por uma experiência inesquecível

Arquiteto carioca Osvaldo Emery se tornou especialista em cinemas e foi convidado para ajudar na revitalização de salas do Estado

Campus Igarassu do IFPECampus Igarassu do IFPE - Foto: Divulgação / IFPE

 

Há uma pequena revolução em processo nos cinemas do Recife: a gradual renovação dos cinemas de rua, salas históricas que estão em reforma ou abandonadas. Depois do Cinema do Museu e do São Luiz, que funcionam com sistema de projeção digital e conforto para os espectadores, a expectativa é aplicar esse conceito em outras salas - como foi noticiado pela Folha de Pernambuco, em outubro, interligando os cinemas de Olinda, Recife, Jaboatão e Interior do Estado, para que possam compartilhar programação e conceitos.

O arquiteto carioca Osvaldo Emery está envolvido nesse processo de revitalização, embora seu nome não seja tão conhecido pelo público. Ele vem trabalhando nas primeiras etapas das reformas nos cinemas de rua do Estado, depois de ter participado da reestruturação dos cinemas da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). “Já fiz projetos para Pernambuco, mas o contato mais recente começou na reforma do cinema da Fundação, no Derby (em 2013). Participei também como consultor do projeto do Cinema do Museu (aberto em 2015)”, explica.

Osvaldo esteve no mês passado em Pernambuco para fazer uma primeira avaliação de algumas salas. “Visitei o Cine Olinda, o Cine Teatro Apolo, no Recife antigo, e o Cine Teatro Samuel Campelo, em Jaboatão”, lista. “Cada um tem suas peculiaridades, mas, em comum, há a necessidade de instalação de equipamentos padrão DCI [cinema digital], para que tenham maior acesso a conteúdos. Os três têm boa estrutura física que permite a adequação aos padrões de qualidade compatíveis com as tecnologias de projeção contemporâneas”, detalha.

Há visitas para outros cinemas pernambucanos agendadas neste ano. “Devo voltar tão logo faça uma cirurgia e esteja pronto para um tour pelo Estado. Neste meio tempo, venho conversando com a equipe da Secult [Secretaria de Cultura] para equacionarmos outros aspectos do projeto de recuperação das salas “, diz.

Especialidade
A vinda de Osvaldo sinaliza a importância de um profissional especializado na arquitetura de uma sala de cinema. “As particularidades do arquiteto de cinema seriam um bom conhecimento de percepção humana (fisiologia e psicologia), das características das mídias audiovisuais e da interação entre essas duas áreas”, diz. “Acredito que o importante da criação ou reforma de uma sala é buscar equacionar o projeto de modo a oferecer a melhor experiência possível em termos de qualidade da projeção da imagem, reprodução sonora e conforto do espectador”, destaca.

Trajetória
“Optei por arquitetura porque sempre me interessou a interseção entre arte e ciência, áreas que considero as melhores formas de se explicar/interpretar o mundo”, diz Osvaldo. A relação com cinema começou antes. “Cinema foi parte importante de minha infância porque ela se deu em uma época pré-videogames, TVs por assinatura, computadores. Nasci e vivi boa parte de minha vida em Niterói, uma cidade que nos anos 1970 tinha oito cinemas de rua e três em centros comerciais. Desses, sobrou um de rua em funcionamento e um fechado à espera de obras”, explica.

A união entre cinema e arquitetura foi “por acaso”. “Participei de um seminário sobre acústica arquitetônica no Centro Técnico Audiovisual (CTAv), no Rio de Janeiro. Depois, surgiu o convite para me juntar definitivamente à equipe do CTAv, colaborando com a construção dos estúdios e ações visando a melhoria da qualidade da projeção no Brasil. Trabalhar no CTAv, um centro de produção e pesquisa cinematográfica, foi a melhor escola que alguém poderia ter em cinema, pois convivia diariamente com profissionais da melhor qualidade”, lembra.

Retomada
Essa recente retomada dos cinemas de rua de Pernambuco indica o interesse pela preservação da história cultural do Estado e a vontade de criar uma estratégia para viabilizar essa rede de cinemas de forma contínua e estável. “Acho excelente a iniciativa de resgatar equipamentos culturais do século passado com a tecnologia contemporânea, incorporando essas salas não apenas à cena cultural, mas também à vida social dessas comunidades e trazer de volta formas de convivência que haviam se perdido”, opina Osvaldo.

“Acredito que seja viável a instalação desses equipamentos. Vale lembrar que as salas das periferias e das cidades do Interior foram desaparecendo como consequência das dificuldades impostas pela tecnologia de projeção analógica, geralmente em películas fotoquímicas 35mm. Fazia-se necessário transportar rolos volumosos e pesados de sala a sala para cada projeção. Além disso, como essas películas se movimentavam fisicamente pelos projetores, criavam atrito com as partes do projetor, elas começavam a se deteriorar”, destaca o arquiteto.

 

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