Cultura

Prefeitura anuncia primeiros Patrimônios Vivos do Recife

Os nomes eleitos receberão bolsas de incentivo mensais, nos valores de R$ 1.650, para os indivíduos; e R$ 2.200, para os grupos

Primeiros Patrimônios Vivos do Recife são anunciadosPrimeiros Patrimônios Vivos do Recife são anunciados - Foto: Arhur de Souza/Marcelo Lacerda/Luiz Henrique Santos/Costa Neto

Em reunião do Conselho Municipal de Política Cultural, realizada na tarde desta quinta-feira (5), foram escolhidos como primeiros Patrimônios Vivos do Recife os nomes da passista Zenaide Bezerra, de Antônio José da Silva Neto, que assumiu a alcunha de Mestre Teté, à frente do Maracatu Almirante do Forte, além das agremiações históricas Pierrot de São José e Gigantes do Samba, que há décadas desfilam e defendem a alegria, as raízes e a força da cultura recifense.

A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, irá assegurar aos patrimônios bolsas de incentivo mensais, nos valores de R$ 1.650, para os indivíduos, e R$ 2.200, para os grupos, em caráter vitalício, inalienável e impenhorável.

A escolha foi feita em reunião extraordinária do Conselho Municipal de Política Cultural, no início da tarde de hoje (5), com os votos de 23 conselheiros, entre representantes da sociedade civil e governamentais. Concorriam ao título 18 defensores das manifestações culturais recifenses, que se sagraram finalistas, após as etapas de validação documental e recurso das inscrições e de avaliação de mérito, esta última realizada pela Comissão Especial de Análise. A etapa seguinte foi a de defesa de candidaturas, em audiência pública gravada, que teve também seu conteúdo disponibilizado a todos os conselheiros, em áudio e vídeo.

A votação de hoje, realizada na sede do Conselho Municipal de Política Cultural, no Pátio de São Pedro, foi a quarta e definitiva instância de aprovação e validação dos novos Patrimônios Vivos do Recife, numa reunião marcada pela emoção. “O anúncio dos quatro primeiros Patrimônios Vivos do Recife é um momento histórico, que inaugura um ciclo novo na cidade, marcado pelo olhar atento e afetuoso de reconhecimento às nossas tradições e seus defensores. Traduz e reafirma nossos compromissos e nossas práticas, democráticas e comprometidas com os fazedores e fazedoras de cultura, sua capacidade de entrega e sua resiliência. A cultura é uma luta que a gente trava com amor, todos os dias. E amor não nos falta. Por isso o Recife é uma cidade que toca, como nenhuma outra, tantas músicas e tantos corações. Uma cidade que toca em frente suas certezas e forças culturais”, afirmou o secretário Ricardo Mello.

O próximo passo é a formalização do registro dos quatro primeiros Patrimônios Vivos da cidade, em solenidade a ser realizada na Prefeitura do Recife, com a participação dos brincantes e brinquedos que acabam de ser oficialmente inscritos na posteridade da memória cultural da cidade, além dos conselheiros de Cultura do Recife e do prefeito João Campos.

Sobre a Lei
Resultado de amplo debate, o Registro de Patrimônio Vivo Municipal representa a materialização de uma política pública de cultura que prioriza a promoção, a difusão e o fomento dos bens intangíveis do Recife, com objetivos de salvaguardar, redimensionar espaços de ação e dar continuidade histórica de relevância para a memória cultural e artística da cidade. Concebido pela Secretaria de Cultura e pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, o projeto foi encaminhado para a Câmara de Vereadores do Recife no último mês de junho. Após aprovação, a Lei foi sancionada no dia 9 de setembro.

Sobre os Patrimônios Vivos do Recife

Zenaide Bezerra

Considerada a mais antiga passista em atividade do Brasil, Zenaide Bezerra tem 73 anos de idade e pelo menos 65 de frevo. Começou a dançar reproduzindo os ensinamentos e movimentos do seu pai, o renomado passista Egídio Bezerra. Em 1975, montou um grupo de dança, Grupo Folclórico Egídio Bezerra, que se dedica a transmitir, desde então, as tradições pernambucanas a muitas gerações de recifenses. Zenaide jamais aposentou a sombrinha e participa ininterrupta e efetivamente, até hoje, da programação do Carnaval do Recife.

Antônio José da Silva Neto (Mestre Teté)

Aos 76 anos, Antônio José da Silva Neto, nasceu, cresceu e foi até rebatizado entre os maracatuzeiros, sagrando-se o Mestre Teté, do Maracatu Nação Almirante do Forte, agremiação cuja história se confunde com a sua. Desde a infância, acompanhava as apresentações do grupo, que passou a integrar ainda aos 15 anos. Tudo isso seguindo os passos do pai, Antônio José da Silva, que atuou como fundador e primeiro presidente da agremiação. Com o tempo, Teté virou mestre, cantor e compositor do Maracatu Almirante do Forte, fundado em 7 de setembro de 1931 e declarado Patrimônio Cultural do Brasil, pelo IPHAN, em 2014.

Pierrot de São José

O Bloco Pierrot de São José foi fundado em 1978 pela carnavalesca Sevy Caminha, que costurava para diversas agremiações, até resolver a sua, para desfilar seu amor pelo Carnaval, junto com seus filhos, familiares e amigos do bairro de São José, honrando a tradição do lugar, conhecido como berço do carnaval do Recife. O bloco também já participou da programação carnavalesca de diversos outros municípios pernambucanos, assim como do Festival de Inverno de Garanhuns e outros eventos nacionais e internacionais. O Pierrot de São José tem repertório próprio e uma estética que se destaca nas figuras de Pierrots, Colombinas e Arlequins. Em 2012, recebeu comenda da Câmara Municipal do Recife, a medalha do mérito José Mariano, pela dedicação à cultura da cidade.

Gigantes do Samba

O Grêmio Recreativo Cultural e Arte Gigante do Samba foi oficialmente fundado em 16 de março de 1942. No entanto, existem registros da agremiação já em 1937, com o nome de “Turma Quente”, no Alto do Céu, bairro de Água Fria. Em 1938, o mesmo grupo sai às ruas com o nome “Garotos do Céu” e, só no carnaval de 1942, a agremiação é batizada com o nome atual e definitivo de Gigante do Samba. Inúmeras vezes campeã do Carnaval do Recife, já viajou para diversas partes do mundo divulgando a cultura recifense. 

 

 

 

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