Prêmio Ariano Suassuna distribui R$ 150 mil em sua terceira edição
Oito grupos e mestres da Cultura Popular e seis dramaturgos receberam os prêmios, durante cerimônia no Palácio das Princesas. Foi anunciado novo prêmio voltado para artistas circenses
"Para nós é um alento e um respiro. A existência desse prêmio ajuda a manter a cultura viva e a nos manter na luta por essa santa obstinação". A fala do poeta Jénerson Alves, da Academia Caruaruense de Cordel, reflete a alegria dos 14 agraciados com o Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia.
Os vencedores da terceira edição do concurso receberam, nesta quinta-feira (21), das mãos do governador Paulo Câmara (PSB), um certificado e um troféu, além de um valor em dinheiro. Os grupos premiados receberam R$ 15 mil, os mestres foram contemplados com R$ 10 mil, os dramaturgos classificados em primeiro lugar também ganharam R$ 10 mil, e os em segundo lugar, R$ 7 mil. No total, o prêmio distribuiu R$ 150 mil.
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"Ficamos muito contentes em ver o volume e qualidade das inscrições. Os vencedores são um conjunto talentoso que honra a memória do Mestre Ariano, que dá nome ao prêmio", disse Paulo Câmara. Ao todo, foram 164 inscritos (101 de dramaturgia e 63 de cultura popular). "Apesar da crise econômica e de todas as dificuldades, Pernambuco vem ampliando os recursos destinados à cultura e ajudando a manter vivas nossas tradições", acrescentou.
Durante a cerimônia, foram premiados oito grupos e mestres da cultura popular: o Caboclinho Carijós do Recife, do bairro de Casa Amarela; o mestre Coquista Zé Negão, de Camaragibe; a artesã em renda renascença Vera Lúcia de Medeiros, de Poção, no Agreste; a Academia Caruaruense de Cordel; o cavalo marinho Estrela de Ouro, de Condado, na Zona da Mata Norte; o mestre Ciriaco do Coco, de Glória do Goitá, também na Mata Norte; o Coco Tebei, de Tacaratu, no Sertão; e a poeta popular Maria Dulce de Lima Pessoa, de Tabira, também no Sertão.
Para cada uma das quatro macrorregiões de Pernambuco, foram escolhidos um grupo e um mestre. "Estou muito emocionada. Estou vindo ao Recife pela primeira vez, e ganhando esse reconhecimento. A renda é vida, tirou muita gente da fome", confessou Vera Lúcia.
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"Seria muito bom poder dividir tudo isso com outras pessoas que também merecem e não têm direito a nada. Antes do prêmio a gente já fazia, e depois, vai continuar fazendo. Tem muita gente lutando junto comigo", disse o mestre Zé Negão, que arrancou aplausos ao entoar uma loa de seu coco de senzala, no momento do recebimento do troféu.
Líder da tribo de caboclinhos mais antiga de Pernambuco, com 122 anos, Jefferson Roberto também estava muito feliz, e adiantou que parte do prêmio será investida nos figurinos ("é um gasto absurdo, pois um quilo de penas de avestruz custa mais de R$ 2 mil") e o restante, para prestar serviços a pessoas carentes da comunidade da Mangabeira, na Zona Norte do Recife.
Já no segmento dramaturgia, o vencedor na categoria Teatro Adulto foi Rodrigo Dourado, do Recife, e em segundo lugar, Cleyton Cabral, de Olinda. O primeiro colocado na categoria Teatro para a Infância foi Alexsandro Souto Maior, de Olinda, seguido por Djaelton Quirino, de Arcoverde, no Sertão. E na categoria Teatro de Animação, o primeiro colocado foi Alex Apolônio Sales, de Garanhuns, no Agreste (que já tinha sido vencedor em 2016), e, em segundo, Anderson Leite, do Recife.
"O prêmio é uma iniciativa extremamente importante, que vem fortalecendo o nascimento de novas dramaturgias. Além de tudo, é um processo muito equilibrado, que contempla artistas de todo o Estado e facilita o acesso de todos, já que a inscrição é feita pela internet e o edital é pouco burocrático, super acessível", elogiou Alex Apolônio.
Palhaço Cascudo
Na mesma cerimônia, foi assinado o decreto que autoriza a criação do Prêmio Palhaço Cascudo de Incentivo às Artes Circenses. "Ele vem se somar a um conjunto de iniciativas para expressões artísticas em nosso estado. Só faltava o circo", destacou Paulo Câmara.
Seis prêmios anuais distribuem R$ 720 mil a segmentos distintos: além do Ariano Suassuna e do Palhaço Cascudo, estão em vigor o Prêmio Pernambuco de Fotografia, o Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural, o Prêmio Pernalonga de Teatro e o Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura.
A nova premiação homenageia Francisco Chagas da Costa, o Palhaço Cascudo, e terá inscrições pela plataforma Mapa Cultural de Pernambuco. A iniciativa foi viabilizada pela deputada federal Luciana Santos (PCdoB), que conseguiu destinar a verba de R$ 150 mil para esta finalidade, por meio de emenda parlamentar.
"Cultura é alma, alegria, o retrato do nosso jeito de ser. Estamos lutando contra uma medida provisória que quer tirar recursos da Cultura e do Esporte e destinar à Segurança Pública. Como fazer isso, se a cultura e o esporte dão novas possibilidades às pessoas? Só se enfrenta a violência oferecendo perspectivas", criticou ela.
