Quais lançamentos brasileiros de 2026 podem representar o País em premiações internacionais de 2027?
"Feito Pipa", de Allan Deberton, é uma das apostas para maratonar premiações, segundo especialistas do setor
O cinema brasileiro foi destaque pelo segundo ano consecutivo, considerando premiações internacionais em 2026, marcando, inclusive, presença no prêmio mais prestigiado da indústria, o Oscar, em 2025 e 2026.
A partir de agora, a expectativa é que o audiovisual nacional consiga transformar o reconhecimento mundial em demanda e atingir novos públicos.
Ainda vivendo um período acalourado pelo prestígio angariado por "O Agente Secreto", do diretor Kleber Mendonça Filho, o brasileiro segue na torcida e, por que não dizer, já na expectativa dos próximos meses do cinema nacional.
Cenário
Que tal antecipar os lançamentos brasileiros deste ano que podem ser representantes do país nas premiações internacionais em 2027?
Nos últimos dois anos, com as repercussões mundo afora de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, os fãs brasileiros instauraram um clima de Copa do Mundo, Carnaval fora de época e mutirões nas redes sociais - exaltando até o “molho baiano" do ator Wagner Moura.
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Além de acumularem indicações e vitórias em importantes premiações, a grande conquista dos dois filmes ocorreu no mercado interno.
Em 2024, “Ainda Estou Aqui” foi assistido por três milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
No ano seguinte, “O Agente Secreto” também ultrapassou a marca do milhão, inclusive superando o valor de 2,35 milhões de público em 2026.
“Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, teve sua estreia mundial no 81º Festival de Veneza.
Por outro lado, ''O Agente Secreto", do pernambucano Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura como protagonista, estreou no 78º Festival de Cannes. Ambos conquistaram a crítica especializada desde o "dia um".
“Atualmente, quando um filme brasileiro chega à cidade, a aposta mais inteligente é assisti-lo”, expressou a crítica de cinema do Los Angeles Times, Amy Nicholson, sobre "O Último Azul" (2025), dirigido pelo pernambucano Gabriel Mascaro, que estreou nos Estados Unidos na última semana, em 3 de abril.
O crítico de cinema brasileiro Marcio Sallem (do Cinema com Crítica), membro da Critics Choice Association, confirmou que “os festivais são excelentes vitrines para os filmes internacionais”. A campanha começa com o destaque nesses festivais de prestígio, como Cannes, Veneza ou Berlim, para atrair distribuidores e reconhecimento da crítica e do público.
Fabiana Lima, crítica de cinema, colunista e também integrante da Critics Choice Association, ressaltou que as campanhas de ''O Agente Secreto'' e ''Ainda Estou Aqui'' foram“ como se um raio caísse duas vezes no mesmo lugar”. É difícil imaginar que vire uma rotina.
''Por fim, ter o misto de sorte, estratégia e orçamento para se manter relevante por tantos meses até angariar uma indicação que já é uma vitória para um filme norte-americano, calcule um filme internacional'', analisa Fabiana.
Possibilidades
O Festival de Cinema de Cannes 2026 acontece em maio, com o anúncio da seleção oficial desta 79ª edição marcada para a próxima quinta-feira (9).
A lista de filmes nacionais para ficar de olho em 2026 reúne obras com cineastas e atores brasileiros com presença no mercado internacional, incluindo o filme de Allan Deberton, ''Feito Pipa'', que venceu dois prêmios no Festival Internacional de Cinema de Berlim 2026.
Confira as apostas dos especialistas:
- ''Corrida dos Bichos'' (Fernando Meirelles) - Com Rodrigo Santoro, Grazi Massafera e Isis Valverde. Estreia: Festival South by Southwest (SXSW);
- ''Feito Pipa'' (Allan Deberton) - Com Lázaro Ramos e Yuri Gomes. Estreia: - 76º Festival de Berlim; Prêmios: Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional no Festival de Berlim 2026;
- ''Geni e o Zepelim'' (Anna Muylaert) - Com Ayla Gabriela e Seu Jorge. Estreia - sem previsão;
- "Os Corretores'' (Andrucha Waddington) - Com Fernanda Torres e Milhem Cortaz. Estreia: sem previsão.

