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Proibido na Ancine, 'A Vida Invisível' é exibido ao ar livre

O filme "A Vida Invisível", de Karim Aïnouz, foi exibido ao ar livre na Cinelândia, na noite dessa quinta-feira (12), para cerca de 500 pessoas

Cena do filme "A Vida Invisível" de Eurídice GusmãoCena do filme "A Vida Invisível" de Eurídice Gusmão - Foto: Divulgação

O filme "A Vida Invisível", de Karim Aïnouz, foi exibido ao ar livre na Cinelândia, na noite dessa quinta-feira (12), para cerca de 500 pessoas. O evento foi organizada pela Aspac (Associação dos Servidores Públicos da Ancine) e aconteceu após um cancelamento da exibição oficial do longa a funcionários da agência. "A Vida Invisível" está inscrito pelo Brasil na disputa para o Oscar 2020.

A projeção foi seguida de um debate com dois produtores do filme, Rodrigo Teixeira e Camilo Cavalcante, e dois atores, Julia Stockler e Gregorio Duvivier. Eles contaram histórias sobre a filmagem e criticaram o governo e a atual situação da cultura no país.

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"Estamos falando de fantasmas ancestrais nesse filme, histórias abusivas e violentas. Meu avô, por exemplo, era um avô adorável. Mas era um marido péssimo. E quantos avôs não foram assim, tóxicos?", provocou Duvivier.

"A família tradicional cristã, que esse governo quer encarnar, nunca existiu, e o filme mostra isso. É uma ideia falida e nunca deu certo. Foi muito angustiante fazer esse filme e ao mesmo tempo muito recompensador." "Sem desobediência civil, esse país já teria acabado. Nosso maior ativo é jamais se curvar. Somos um país de gente insubmissa e desobediente", finalizou o ator, arrancando palmas e gritos da plateia.

"Estamos vivendo um momento muito rico no cinema brasileiro. Nunca tivemos tanto reconhecimento lá fora", disse Teixeira, que veio de São Paulo e trouxe o filme na mala para a exibição. Ele trouxe também um áudio de Fernanda Montenegro, também no elenco de "A Vida Invisível", gravado especialmente para o evento.

"Sou uma sobrevivente de 75 anos de vida pública nesse país e a cultura é sempre a primeira que vai sendo calada porque é vibrante e a força da vida um povo", disse Montenegro, 90. "Não há um filme na minha vida em que eu não esteja em estado de protesto. É uma batalha. E a gente vai vencer. Já saímos de guerras piores. Artista? Sobrevive sempre", ela concluiu.

"Produzimos isso em três dias para dar uma resposta para a Ancine", disse uma funcionária da agência, agradecendo ao público presente. Segundo um funcionário, a justificativa da direção da Ancine para o cancelamento foi que um projetor da sala de exibição estava quebrado. Procurada, a Ancine disse que não iria comentar sobre o assunto no momento.

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