Promotoria britânica recorre de anulação processual por terrorismo contra rapper do Kneecap
"Acreditamos que há um ponto jurídico importante que deve ser esclarecido", indicou um porta-voz do CPS
A Promotoria da Inglaterra e do País de Gales (Crown Prosecution Service, CPS) anunciou, nesta terça-feira (7), que recorrerá da decisão judicial de encerrar o processo por terrorismo contra Mo Chara, rapper do trio norte-irlandês Kneecap.
"Apelamos à decisão de arquivar este caso, já que acreditamos que há um ponto jurídico importante que deve ser esclarecido", indicou um porta-voz do CPS, sem fornecer mais detalhes.
O rapper foi acusado de exibir uma bandeira do Hezbollah, movimento islamista xiita libanês, considerado terrorista no Reino Unido, durante um show em Londres em novembro de 2024.
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Em 26 de setembro, um juiz decidiu anular o processo devido a um erro de procedimento.
Mo Chara, de 27 anos, cujo verdadeiro nome é Liam O'Hanna, negou qualquer apoio ao Hezbollah, denunciando sua acusação como uma decisão "política" após críticas feitas pelo trio contra Israel e a guerra em Gaza.
Em setembro, ao sair do tribunal, o rapper celebrou que as "tentativas de silenciar" o grupo "fracassaram".
Desde a acusação do cantor, em 21 de maio, o grupo, que apoia a causa palestina, viu sua notoriedade disparar, embora também tenha tido vários shows cancelados na Alemanha e na Áustria.
Os membros do Kneecap também não foram autorizados a viajar para a Hungria, onde se apresentariam no Sziget Festival, ou para o Canadá.
Apesar de tudo, o trio se apresentou em Paris em setembro, enfrentando as objeções de grupos judaicos franceses e de funcionários do governo da França. Também esteve no prestigioso Festival de Glastonbury, no sudoeste da Inglaterra, em junho.

