'Quando ele (Jair Bolsonaro) fala pra ir para a rua, eu não, eu fico dentro de casa', comentou Alceu

Cantor e compositor pernambucano foi entrevistado pelo jornal Estadão e, dentre outros assuntos, falou sobre a sua 'desobediência' às recomendações do presidente

Alceu ValençaAlceu Valença - Foto: Alfeu Tavares

O cantor e compositor Alceu Valença, 73 anos, está resguardado e seguindo todos os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), não levando em consideração, por exemplo, o que o atual presidente Jair Bolsonaro sugere fazer - dentre outras coisas, relaxar o isolamento social. O artista pernambucano tem passado os dias de quarentena em sua residência no Rio de Janeiro, local onde tem levado canções no violão, com melodias  que estimulam recordações de lugares por onde passou.

Em entrevista ao Estadão, neste fim de semana, ele comentou sobre o que pensa do Brasil em tempos de coronavírus. “Estamos passando por essa pandemia e eu faço tudo ao contrário do que o presidente manda. Quando ele fala pra ir para a rua, eu não, eu fico dentro de casa. É gripezinha? Não, a gripe é forte. Tem muita gente morrendo”.

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Para passar o tempo, é a música que embala suas lembranças, de São Bento do Una, por exemplo, cidade onde nasceu. Lembra-se também de Olinda, e canta coisas da cidade, assim como de São Paulo e de canções que fez na metrópole. "Solidão" e "Tesoura do Desejo" são algumas das que integram o set list do cantor. “Fico o tempo o todo viajando nessas histórias”.

Mas não só as músicas, como a internet também faz parte da rotina do artista na quarentena. Ele revela o papel fundamental do WhatsApp para as pessoas que estão confinadas, e para a sua própria comunicação com familiares e amigos, embora mantenha uma certa cautela quanto ao uso do aplicativo. “Estou me comunicando com a família e amigos do mundo todo, mas tenho alguns cuidados. Não faço parte de grupos e isso para mim é muito bom porque gosto de ser livre pensador. Parece-me que a questão do grupo na internet faz com que o pensamento vire, quase sempre, um pensamento de grupo”.

Relembrando momentos com Moraes Moreira, quando brincavam com o fato de o público por vezes confundir um com o outro, ele também comentou sobre a morte do grande amigo: “Foi triste. Ele tinha conversado com um amigo meu de Recife, já no confinamento, e estava alegre. No mesmo dia esse amigo disse pra eu ligar pra Moraes e acabei não ligando”.

Alceu também refletiu sobre a situação atual da cultura, com shows e eventos parados. “Está difícil para a turma da cultura e da música. [...] O povo ainda não consegue entender o que é economia criativa”. 

E, por fim, soltou uma mensagem de esperança: “Tudo na minha cabeça é o HD da memória, projetando um futuro melhor em que a humanidade destrua o coronavírus”.

Live

Para dar um apoio financeiro, no domingo (3), ele fez uma live por meio de seu canal no YouTube em apoio a uma ação para distribuir recursos a profissionais da música que não estão trabalhando por causa da quarentena, uma iniciativa do Spotify e da União Brasileira de Compositores (UBC).

Diretamente da sala do seu apartamento no Leblon, a live chegou a 2h30. Até a primeira hora 274 mil pessoas assistiam a live de Alceu. Ele começou com uma embolada, manteve um diálogo imaginário com Luiz Gonzaga, mostrando seus dotes de ator e imitador, e mais adiante imitou Miltinho, Núbia Lafayette e Vicente Celestino. Também teve espaço para intercalar canções com histórias da família e alertas para as precauções contra a covid-19.

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