Quanto vale o play? Serviços de streaming para música dividem opiniões

Remuneração de artistas que disponibilizam seus álbuns completos nas redes é um dos pontos mais polêmicos

Fábio Cabral, da loja Passa DiscoFábio Cabral, da loja Passa Disco - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Há pouco mais de 20 anos, a ideia de carregar quantas músicas você quisesse no bolso já não era tão remota. Nos anos 1980, com a chegada dos “walkman”, os jovens já desfrutavam da mobilidade ao poder ouvir suas fitas cassete em qualquer lugar, já um prenúncio do que viria nos próximos anos.

Hoje, é cada vez mais raro andar pela rua e não ver pessoas com seus fones de ouvido. Um dos fatores que possibilitou isso foi a popularização dos serviços de streaming, como Deezer, Spotify e Apple Music.

Leia mais: Discos físicos ainda importam, argumentam artistas

A princípio, os três funcionam da mesma forma. Por um valor determinado, o usuário tem acesso a discografias completas de artistas, podendo também criar playlists personalizadas. Um longo avanço desde o vinil e a gravação de fitinhas cassete na rádio FM.

Um dos pontos que mais geram polêmica, no entanto, é a remuneração de artistas que disponibilizam seus trabalhos nas redes. Em 2014, a cantora pop norte-americana Taylor Swift retirou todo seu catálogo do Spotify, alegando a remuneração injusta pela quantidade de plays.

“Os royalties e direitos autorais são importantes para qualquer músico, é preciso haver uma regulamentação. As gravadoras resistiram muito à passagem da música analógica para a digital, então não houve como planejar melhor isso”, opina o músico Nando Reis, também integrante do coletivo Procure Saber, que fiscaliza o pagamento de direitos aos artistas.

Para os artistas pernambucanos, o assunto é polarizador. O cantor e guitarrista Bruno Souto, ex-Volver, opina: “Para um artista independente, não faz sentido não liberar as músicas. O maior pagamento, para nós, é a exposição, fazer com que as pessoas tenham acesso. Não dá para viver só do álbum, mas hoje em dia, é uma forma crucial de divulgar seu trabalho".

Já o músico Tibério Azul, opina que o álbum físico ainda tem força: “Se a pessoa vai gastar dinheiro com aquilo, tem que ser algo especial. O álbum é quase uma relação de amizade entre fã e artista. Você quer que seja algo bonito, que valha a pena”, diz.

Lançado em 2008, o Spotify paga, em média, US$ 0,0007, ou seja, menos de um centavo de dólar (por audição de cada faixa). Mesmo figurões da música pop atual, como Ed Sheeran, Lady Gaga e Rihanna, recebem valores proporcionalmente muito inferiores aos milhões de plays no serviço.

Parte deste dinheiro, inclusive, nem sequer vai diretamente para o artista, sendo repassado por gravadoras.

O consenso entre os artistas independentes, ao menos, é de que apesar da falta de regulamentação dos royalties, o maior trunfo dos serviços do streaming é o diálogo com o público jovem, que acaba atraído pela facilidade de ter todas as músicas em um só lugar, e ainda a possibilidade de personalizar as listas.

Isso magnetiza também uma grande parcela do público que até pouco tempo baixava música ilegalmente. Enquanto o assunto ainda é discutido por artistas e executivos, os números só crescem. Só neste ano, o número de usuários do Spotify subiu para de 17 para 100 milhões.

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